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"O Sábado na Vida de um Músico Profissional"

Hallal Festival II

Histórias de Hinos do Hinário Adventista

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista

É sempre bom conhecer as histórias dos hinos que cantamos na igreja. Nesse sentido, partilhamos algumas das histórias dos hinos que cantamos na igreja. À medida que formos encontrando as histórias iremos colocar no site, para que possa conhecer. Desejamos que disfrute.

As histórias estão baseadas no site Música Sacra e Adoração. Link: http://musicaeadoracao.com.br

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 001

Ó Deus de Amor

Letra: Isaac Watts (1674-1748)

Título Original: Before Jehovah’s Awful Throne

Música: John Hatton (1710-1793)

Texto Bíblico: No princípio criou Deus os céus e a terra. (Gênesis 1:1)

 

Isaac Watts, autor deste hino, é algumas vezes chamado “Pai da hinodia Inglesa” porque foi um dos primeiros a dar impulso ao canto dos hinos antigos. Escreveu cerca de seiscentos hinos e paráfrases dos salmos. O “Church Hymnl” contém trinta e um hinos de Watts, e “Cantai ao Senhor” apenas oito. Seus hinos são de linguagem escriturística, dignificantes e majestosos no pensamento, reverentes e cheios de adoração na expressão.

“Teu é o Poder” é uma imitação do Salmo 100. As primeiras duas linhas são uma alteração de Jonh Wesley.

Frases tais como “santa alegria”, aglomerar-nos-emos em seus portões com hinos de agradecimentos “vasto como a Eternidade é Seu Amor”e outras, (estas frases são do original em inglês) são belas expressões de reverente louvor. Este hino expressa a segurança do reino de Deus.

A Melodia “Duke Street” apareceu primeiro anonimamente no Select Collection of Psalm and Hymn Tunes, 1793″ (coleção seleta de Melodias de Salmos e hinos, 1973), de Henry Bord. Tem sido conhecida pelo nome de “Addison’s 19 th Psalm”, e tem sido atribuída ao compositor Jonh Hatton, que residiu na Rua Duke no distrito de St. Helens, na cidade de Windle; daí os títulos para o hino.

“Duke Street” em muitos aspectos é um hino ideal. Tem dignidade, beleza melódica, um bom arranjo para canto congregacional uníssono, harmonia forte, e concordância com as palavras. Não há andamento em que soe melhor. Pode ser cantando lentamente ou moderadamente mais rápido com bom efeito. Não deveria ser cantado rápido demais.

Este é um grande hino de louvor, e deveria ser cantado pelo menos uma vez por ano.

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 012

Vinde, Povo do Senhor

Letra: Henry Alford (1870-1871) – publicada no hinário Psalms and Hymns (Salmos e Hinos), em 1844.

Título Original: Come, Ye Thankful People

Música: George Job Elvey(1816-1893)- composta em 1858

Texto Bíblico: Vinde, cantemos alegremente ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação. Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de louvor. Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande acima de todos os deuses. Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a serra terra seca. Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou. (Salmo 95:1-6)

 

Este hino de colheita apareceu na coleção de Henry Alford, “Psalms and Hymns” (Salmos e Hinos) em 1844. Foi escrito para o Festival Inglês de Colheita que corresponde ao Dia de Graças Americano, embora seja uma festa de data móvel que ocorre em diferentes dias nas várias vilas e cidades. Não há hino melhor para o tempo de colheita anual do que este.

Henry Alford foi um homem talentoso – Teólogo, erudito, poeta, escritor, artista e músico. Era filho de um homem do clero, tornou-se ministro também, e eventualmente tornou-se Reitor de Canterburry em 1857. Foi membro da comissão de Revisão do Novo Testamento, e entre os 50 livros que escreveu provavelmente o mais útil foi o seu “Testamento Grego”, em quatro volumes. Foi um devoto e um homem de Deus através de sua vida, cumprindo o voto que escreveu em sua Bíblia no seu décimo aniversário: “Neste dia, na presença de Deus e de minha própria consciência, renovo meu pacto com Deus e solenemente me determino a tornar-me Seu e fazer o Seu trabalho tanto quanto me seja possível”.

“St. George’s Windsor” foi composto por George J. Elvey e tem sido associado a este hino desde sua edição original em “Hinos Antigos e Modernos” em 1861. A melodia foi publicada primeiramente em “A Selection of Psalms and Hymns”, (Uma Seleção de Salmos e Hinos) de Thorne em 1858 com outras palavras. Foi assim nomeado em honra à Capela de “St. George’s Windsor” onde muitos organistas famosos serviram, e muita música gloriosa foi ouvida.

Sir George J. Elvey foi um organista e compositor inglês, educado em Oxford, onde recebeu o grau de Doutor em Música, e foi condecorado em 1871, após escrever uma marcha de Festival para o casamento da Princesa Louise. Escreveu muitos trabalhos para a Igreja. Suas melodias para hinos demonstram equilíbrio de melodia e eficiente harmonia.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 013

Louvamos-te, ó Deus

Letra: William Panton Mackay (1837-1885) – composta em 1863

Título Original: Revive Us Again

Música: John Jenkins Husband(1760-1825) – composta em 1815. Nome da melodia: Revive Us Again

Texto Bíblico: Louvai ao Senhor. Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, desde agora e para sempre. (Salmo 113:1 e 2)

 

O Pastor escocês, Dr. William Panton Mackay, escreveu este hino em 1863 e o revisou em 1867. Baseou-se em dois textos: no Salmo 85.6 – “Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se regozije em ti?” e na oração de Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos” (Habacuque 3.2). A última estrofe que diz “Ó vem nos encher de celeste fervor…” expressa a oração que Mackay queria realçar. Entretanto, a forte expressão de louvor ao Deus triúno permeia o hino todo. O estribilho “Aleluia! Toda a glória te rendemos, sem fim, Aleluia! tua graça imploramos, Amém!” vivifica a alma do crente, demonstrando a estreita relação entre o louvor e o aprofundamento espiritual.

William Panton Mackay nasceu na Escócia em 13 de maio de 1839. Formou-se na renomada Universidade de Edimburgo, e praticou a medicina por alguns anos. Sentindo-se chamado para o ministério, abandonou a medicina, foi ordenado, e em 1868 tornou-se pastor duma igreja Presbiteriana. Gostava de escrever hinos. “Louvamos-te, ó Deus” é o mais conhecido dos dezessete hinos com que ele contribuiu para o hinário Praise Book, de 1972. Mackay faleceu vitima de um acidente em 22 de agosto de 1885.

John Jenkins Husband nasceu em 1760 na cidade de Plymouth, na Inglaterra. Serviu na música da sua igreja por alguns anos. Emigrou para os EUA em 1809, estabelecendo-se na Filadélfia, Pensilvânia. Lá dirigiu uma escola de canto de música sacra e serviu na sua igreja até falecer em 1825. Compôs um bom numero de melodias de hinos e antemas corais.

James Theodore Houston(1847-1929), adaptou o hino para o português em 1881. Foi missionário presbiteriano da Junta de Nova Iorque. Aportou à Bahia em 17 de dezembro de 1874, servindo ali até 1887, quando foi transferido para o Rio de Janeiro, onde exerceu o pastorado. Foi um dos redatores do imprensa evangélica. Depois de completar 28 anos de ministério voltou para à sua terra natal em 1902. Faleceu em Oakland,California, aos 82 anos de idade.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 014

Jubilosos Te Adoramos

Letra: Henry van Dyke (1852-1933) – publicada primeiramente no Presbyterian Hymnal (Hinário Presbiteriano) em 1911

Título Original: Joyful, Joyful, We Adore Thee

Música: Ludwig van Beethoven (1770-1827) – composta como tema da Nona Sinfonia; adaptada por Edward Hodges em 1824

Texto Bíblico: Dai graças ao Senhor; invocai o seu nome; fazei conhecidos os seus feitos entre os povos. Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu santo nome; regozije-se o coração daqueles que buscam ao Senhor. (Salmo 105:1-3)

 

Van Dyke escreveu este hino em 1907, ao permanecer na casa de Harry A. Garfield no Colégio Williams , em Massachusetts (EUA). Foi publicado pela primeira vez no Hinário Presbiteriano em 1911. Ele também apareceu no livro de poesias de seu autor: Poemas de Henry van Dyke, publicado em1911. Sobre a letra do hino o próprio Van Dyke escreveu:

“Estes versos são simples expressões de sentimentos e desejos comuns dos cristãos neste tempo atual – hinos da atualidade, que devem ser cantados que conhecem o pensamento desta época e que não temem que qualquer verdade científica possa destruir a religião ou que qualquer revolução na terra derrubará o reino dos céus. Portanto, este é um hino de confiança, de alegria e esperança“.

A música foi uma adaptação de Edward Hodges, feita em 1824, da “Ode à Alegria”, que é o tema principal do 4º movimento da 9 ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 033

Castelo Forte

Letra e Música: Martinho Lutero (1483-1546)

Título Original: Ein feste Burg ist unser Gott

Texto Bíblico: Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. (Salmo 46:1)

Observação: Este hino foi traduzido do Alemão para o Inglês em 1853 por Frederic Henry Hedge (1805-1890), recebendo o título A Mighty Fortress

 

Em Abril de 1521, Martinho Lutero declarou diante o tribunal de Worms: “Não posso fazer de outro modo. Mantenho o que escrevi. Que Deus me ajude.” Suas Noventa e Cinco Teses afixadas à porta da igreja em Winttenburg em 31 de outubro de 1517 iniciaram a maior revolução na história da Igreja Cristã: a Reforma Protestante.

Pregara e publicara com ousadia sobre os abusos, erros e pecados da igreja romana. Por estas e outras razões o Papa e outros líderes da igreja Católica queriam a sua morte. Lutero continuou vivo porque seu amigo, o Eleitor da Saxônia, Frederico Sábio, instrumento nas mãos de Deus, o manteve no seu castelo de Wartburg.

Outros reformadores antecederam Lutero. João Huss e seus seguidores, morávios sem número, muitos anabatistas, valdenses e lombardos pagaram o preço máximo por sua fé. Mas Deus salvou a vida de Lutero para que traduzisse a Bíblia do hebraico e grego para a língua alemã. Esta obra levou treze anos!

Em Wartburg, também pode preparar outros meios para seu povo poder ser salvo em Cristo. Precisavam de cultos em alemão para sua compreensão. Precisavam cantar a sua fé e louvar a Deus na sua própria língua. Como muitos do seu povo, Lutero, a quem Hans Sachs chamou de “O Rouxinol de Winttenberg”, amava muito a música. Tocava o alaúde e a flauta com perfeição. Os hinos de João Huss e seus seguidores foram traduzidos para o alemão.

Sem dúvida, Lutero possuíra o hinário dos morávios, Ein Neu Gesengbuchlein, editado por Michael Weiss, em 1531. Presenciara o martírio dos anabatistas. Ouvira sues poderosos hinos ao seu Pai e Salvador. Cria, como eles, que o cântico do culto não devia ser dado somente ao clero, mas pertencia também à congregação. Para esse fim, precisavam de coletâneas de hinos congregacionais e corais no seu próprio idioma.

Lutero escreveu em 1524: Desejava, seguindo o exemplo dos profetas e anciãos da igreja, dar salmos alemães ao povo, quer dizer, hinos sacros, para que a palavra de Deus pudesse habitar entre o povo por meio do canto também. Para isso, procurou outros músicos idôneos para se unirem a ele para providenciar esses hinos congregacionais.

Com o mui hábil músico Johann Walther, em 1524, publicou o primeiro de muitos hinários: Geistlich Gesang Buchlein. No prefácio deste hinário, Lutero escreveu:

” Que o cantar de cânticos espirituais é uma coisa boa e agradável a Deus, creio eu, não é escondido de qualquer irmão. . . [Isto] tem sido conhecido por todos e pela cristandade universal desde o começo. Pois São Paulo também afirma isto em I Coríntios 14, e ordena aos Colossenses que cantem salmos e cânticos espirituais ao Senhor nos seus corações, para que a Palavra de Deus e o ensino de Cristo sejam assim espalhados por toda a terra e praticados de toda a maneira. Assim, como um bom começo e para encorajar aqueles que possam fazer melhor, eu e outros temos ajuntado certos cânticos espirituais com o intuito de espalhar e dinamizar o Santo Evangelho que agora, pela graça de Deus, emergiu de novo para que possamos nos gloriar, que Cristo é a nossa Fortaleza e Cântico, e que não conheçamos outra coisa para cantar ou dizer senão Jesus Cristo nosso Salvador, como Paulo diz em I Coríntios 2. “

Para este hinário, Lutero empregou muitos hinos e salmos existentes. Adaptou músicas das missas, para que expressassem fé Bíblica. Aproveitou das melodias folclóricas do seu povo, com requisito que fossem apropriadas para cultuar a Deus e que não tivessem associados com letras lascivas.

Lutero disse “Não pretendo deixar para o Diabo as melhores melodias!” Seu bom gosto, sua musicalidade, seu estudo cuidadoso da Palavra e a sua fé lhe deram idoneidade na escolha da música apropriada para o culto. Calvino, porém, ensinou que a música do culto devia se limitar aos Salmos. Outros extremistas diziam que a música, que criam ser de Satanás, não devia ser usada nos cultos de forma nenhuma. Para esses, Lutero replicou:

“Não sou da opinião de que, pelo evangelho, todas as artes devessem ser banidas e lançados fora, como alguns fanáticos querem que creiamos. Quero ver todas as artes, principalmente a música, no serviço daquele que as criou e no-las deu. A música é a bela e gloriosa dádiva de Deus. . . A música transforma os homens em pessoas mais gentis, mais auto-controladas e mais razoáveis.”

De grandes ameaças e sofrimentos nascem os nossos melhores hinos. O primeiro hino de Lutero, consagrado a dois frades martirizados, intitulou-se O Cântico dos Dois Mártires de Cristo em Bruxelas, Queimados pelos Sofistas de Louvain. Seu hino inigualável, Castelo Forte, foi escrito “na hora mais escura na história deste movimento”.

Perseguições da parte do Imperador Carlos V ameaçavam a existência dos chamados “Protestantes”. Lutero mesmo sofria ameaças de morte à toda hora. Sofria fisicamente, também. Quando foi acometido pela “praga” que ceifou muitos dos seus irmãos na fé, deu as suas despedidas à sua família. De novo, Céus tinha outro plano para Martinho Lutero.

Este hino, escrito em 1529, em Coburg, foi o chamado à batalha de Lutero. James Moffatt chamou-o de “o maior hino , do maior homem, do maior período da história da Alemanha”. Foi cantando com emoção e sinceridade ao longo desses quase quatro séculos, em milhares de línguas. Define até onde podemos confiar em nosso Castelo Forte, nosso Escudo e Boa Espada. Mostra, também , quem é o nosso inimigo;o Tentador, com seus demônios, contra os quais em nós mesmos não há força para resistirmos. Mas, Cristo o venceu na cruz. Quem nos defende é o Senhor dos altos céus, o próprio Deus. O grande acusador cairá com UMA SÓ PALAVRA!

John Julian, no seu Dicionário de Hinologia declara: “Lutero é o Ambrósio da hinodia alemã. Ele é o primeiro hinista evangélico. A Lutero pertence o mérito extraordinário de ter dado ao povo germânico no seu próprio idioma, a Bíblia, a Catequese e o hinário, para que Deus pudesse falar com eles diretamente pela sua palavra e que eles pudessem responder a Ele nos seus cânticos!”

Seus hinos são caracterizados por simplicidade e força, e um tom considerado ‘tom da igreja’ pelo povo comum. Sopram o espírito de ousadia, confiança, com a alegre fé dos justificados, que era o coração que batia na sua teologia e piedade. Ele tinha a extraordinária habilidade de expressar profundos pensamentos em palavras bem claras. Nesta característica ninguém o sobrepujou. Esse foi o segredo do seu poder. Ele nunca deixou a o leitor uma dúvida quanto a o que ele quis dizer. Entregou a verdade bem no coração do povo comum. Como o afamado Ruy Barbosa, sempre usou a palavra certa no lugar certo. Ele nunca perderá seu domínio sobre o povo da fala germânica.

Seus hinos, além da Bíblia alemã provaram ser os missionários mais eficazes das doutrinas e piedade evangélicas. Lutero ainda precisando de novos salmos e hinos, escreveu para Spalatinem 1523:

“É meu plano. . . escrever salmos no vernáculo para o povo. . . Procuramos em todos os lugares por poetas. . . Mas desejo que expressões “da moda e da Corte”sejam evitadas e que as palavras possam todas ser muito simples e comuns para que o povo comum possa compreender, entretanto manejadas com arte e pureza”.

Um artigo em 1935 do jornal O Estado de São Paulo sobre o assunto musical, dizia o seguinte: “Cabe a Martinho Lutero realmente a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Ele, o fixador da língua alemã. . . não se contentou em traduzir a Bíblia para o alemão, mas utilizou-se da musicalidade alemã acordada pelos Mestres Cantores e fez cantar em alemão na sua igreja os salmos e outros textos litúrgicos. Ele mesmo atuou como compositor e em 1524 aparecia em Choralbuch, cujas melodias em grande parte são obra de Lutero. A simplicidade, a interioridade de sues Lieder religiosos são incomparáveis. Muitos outros de seus Lieder. . . são cantados ainda hoje”.

Lutero “havia dado mais do que nenhum outro dera jamais ao seu povo – a língua, a Bíblia, a hinologia. “, escreveu Bill Ichter, no primeiro volume da revista Louvor, em 1980.

Este hino conhecido como “A Marselhesa da Reforma”, conserva até hoje o seu poder e poderíamos usá-lo ainda em outro conflito semelhante. . . Há pelo menos 53 traduções em inglês, merecendo todos os destaques no Dicionário de Hinologia de John Julian. . . “Sua melodia, de acordo com McCutchan, é excelente em todos os sentidos. É empolgante e tem dignidade, unidade e autoridade raramente igualadas”.

Basta dizer que são muitos os compositores que têm usado trechos desta melodia em suas obras. Ente eles, podemos citar J. S. Bach, Wagner, Mendelssohn, e Meyerbeer. Julian registra nove principais hinários que Lutero publicou para as igrejas alemãs. Sua lista também inclui onze traduções do latim, quatro hinos populares da Pré -Reforma revisados por Lutero, sete Versões dos Salmos, seis paráfrases de outras porções das Escrituras, bom como oito hinos basicamente originais, além de algumas músicas corais adaptadas de textos católicos – o total de tinta e oito. Este autor descobriu trinta e dois hinos de Lutero em hinários brasileiros. Naturalmente, devem existir mais.

A biografia de Martinho Lutero aparece em muitos bons livros e artigos. O autor recomenda sua leitura, para o leitor ter uma boa de quem era, por fim, esse grande homem e como Deus o preparou e usou na história da igreja e do mundo, além da história da hinodia.

Bibliografia: Julian, John, A Dictionary of Hymnology, Revised Edition, Vol. 1, New York, N. Y. , Dover Publications, 1957, p. 704-705.

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Lá por volta do ano 1500 da nossa era, estava triunfante o movimento da Reforma Religiosa na Europa. Iniciado por Martinho Lutero e coadjuvado por Melanchton (um leigo-teólogo), Calvino, Zwinglio, Huss, Farel e outros, tomou logo conta de todos os países; mas no ano de 1523, em Bruxelas, dois jovens, cujo único crime fora a sua profissão de fé na nova doutrina, foram queimados. Em honra a esses dois mártires, Lutero escreveu e compôs a música do seu primeiro hino: Castelo forte é nosso Deus, o qual é uma paráfrase do Salmo 46:

“1 Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.

2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se projetem para o meio dos mares;

3 ainda que as águas rujam e espumem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.”

Martinho Lutero(1483-1546) é conhecido como o Apóstolo da Reforma.

Foi também o pai do canto congregacional, pois antes disso a congregação não tinha o costume de cantar hinos. Os poucos hinos que havia eram cantados em latim, somente pelos oficiais da igreja. Foi ele que introduziu o cântico por toda a congregação!

Mas, o hino em foco foi considerado como a “Marselhesa da Reforma”, pois todos os cristãos da Reforma cantavam-no com o mesmo entusiasmo dos patriotas da França. De facto, sendo a letra e a música de Lutero, este cantico espalhou-se por toda a Terra e tornou-se o hino oficial da Alemanha Protestante.

Era cantado diariamente por Lutero e por seus companheiros. Até os inimigos da Reforma diziam: “O povo inteiro está cantando uma nova doutrina”.

Assim, este hino cooperou muito no desenvolvimento da Igreja cristã naqueles dias. Foi tão grande a repercussão deste hino que homens ilustres, artistas e músicos de fama usaram-no nos seus temas: o exército de Gustavo Adolfo cantou-o antes da Batalha de Leipzig, em Setembro de 1631; Meyerbeer usou-o como tema de sua ópera de fundo religioso, “Os Huguenotes”; Mendelsohn usou-o na sua “Sinfonia da Reforma”; Wagner utilizou-o em “Kaiser-Marsch” e J. S. Bach também o usou numa de suas cantatas sacras.

E hoje, faz parte de todos os hinários sacros da Igreja Cristã, levando o número 328 em “Hinos e Cânticos” – 16ª edição.

Ele nunca morrerá, mas viverá para sempre!

Fonte: Publicado originalmente em: http://www.refrigerio.net/hinos25.html

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“O melhor cântico, do maior homem, no mais importante período da história germânica”, é a opinião de James Moffat. Este “Cântico de Batalha da Reforma” foi primeiramente publicado em “Geisleche Lieder” em 1529. Foi traduzido umas oitenta vezes, em pelo menos cinqüenta línguas. Foi provavelmente escrito por ocasião da Dieta de Spira, em 1529, quando o partido Evangélico fez seu protesto em 19 de abril, pelo qual,  “em assuntos relacionados com a honra de Deus e a Salvação de nossas almas, cada homem deverá estar só diante de Deus e dar contas de si mesmo.”

O Dr. John Julian diz a respeito dos cânticos de Lutero; “Seus cânticos se caracterizam pela simplicidade, força e popular tom religioso. Eles transpiram audácia, confiança, espírito alegre provindo de uma fé que justifica, a qual é o vivo coração de sua teologia e piedade. Ele possuía a extraordinária faculdade de expressar em uma linguagem clara, pensamentos profundos. Neste dom ele não é superado por qualquer escritor não inspirado e nisto esta o segredo do seu poder”. (Dictionary of Hymnology, Julian, pág. 414).

Martinho Lutero deu ao povo alemão a Bíblia em sua própria língua , o Catecismo e o Hinário, a fim de que Deus pudesse falar-lhes diretamente através de Sua Palavra, e eles pudessem falar a Deus através dos cânticos religiosos, os quais tem sido um dos proeminentes característicos da Igreja Protestante.

Lutero cria na música e no seu lugar no culto divino. “Estou fortemente persuadido”, escreveu ele, “de que depois da Teologia, a música é a única arte capaz de dar paz e alegria ao coração, como aquela produzida pelo estudo da ciência da divindade”.

Trinta e sete cânticos e um bom número de melodias lhe são creditadas. Este é provavelmente o maior de todos os corais e tanto a letra quanto a música são obra do próprio Lutero. Pode ser tomado como o símbolo da Reforma.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 035

Tu És Fiel, Senhor

Letra: Thomas Obediah Chisholm (1866-1960)

Título Original: Great is Thy Faithfunlness

Música: William Marion Runyan (1870-1957)

Texto Bíblico: A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. (Lamentações 3:22 e 23)

 

O poema deste hino foi escrito em 1923 por Thomas Obediah Chisholm. Chrisholm nasceu em 29 de julho de 1866, na cidade de Franklin, Kentucky, EUA. Teve sua educação básica em uma pequena escola rural, e tornou-se professor desta escola aos 16 anos. Quando tinha 21 anos, tornou-se editor associado de um jornal semanal, o The Franklin Favorite.

Em 1893 tornou-se cristão, sob o ministério do Dr. Henry Clay Morrison (futuro presidente do Colégio Asbury, em Wilmore, Kentucky). Persuadido pelo Dr. Morrison, Chrisholm mudou-se para Louisville e tornou-se editor doPenecost Herald. Foi ordenado como ministro metodista em 1903 e serviu como pastor por pouco tempo em Scottsville, Kentucky.

Com a saúde debilitada, mudou-se com sua família para uma fazenda, perto de Winona Lake, Indiana. Tornou-se então um vendedor de seguros, mudando-se para Vineland, Nova Jersey, em 1916.

Em 1953 instalou-se no Lar Metodista para Idosos em Ocean Grove, Nova Jersey, onde morreu em 29 de fevereiro de 1960.

Chrisholm escreveu mais de 1.200 poemas, dos quais 800 foram publicados e muitos foram musicados.

De acordo com Chrisholm, não houve uma circunstância especial que o levou a escrever este hino – somente a sua experiência e a verdade bíblica. Este hino apareceu pela primeira vez na coletânea Songs of Salvation and Service (Cânticos de Salvação e Serviço), compilada por William M. Runyan, em 1923. Runyan escreveu a música especialmente para este poema. Em 1956 no Baptist Hymnal (Hinário Batista), foi publicado o seguinte comentário:

“Este poema em particular possuía tal apelo, que orei muito fervorosamente, para que a minha melodia pudesse conduzir a sua mensagem de uma maneira apropriada e digna, e a história subseqüente de seu uso indica que Deus respondeu a esta oração.”

Fonte: http://cyberhymnal.org

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O homem lia com cuidado as várias poesias que tinha diante de si. Elas lhe foram enviadas por um amigo, para que ele, sentindo a devida inspiração, escrevesse músicas para acompanhá-las.

Uma das poesias logo chamou a sua atenção. “Esta poesia tinha tal apelo, que orei com todo o fervor pára que a minha melodia pudesse transmitir a sua mensagem duma maneira digna.”

A cena descrita transcorreu em 1923. O compositor era o Rev. William Marion Runyan, metodista norte-americano. Sem dúvida, hoje podemos dizer: a música do compositor faz exatamente o que ele tão ardentemente desejou. .

Runyan nasceu no dia 21 de Janeiro de 1870, em Marin, Estado de Nova York. Tinha grande inclinação para a música. Iniciou os seus estudos de música quando tinha 5 anos, e aos 12 já servia como organista da igreja. Quando tinha 14 anos seu pai, que era pastor metodista, mudou-se, com a família para o Estado de Kansas.

Apesar do seu grande talento musical, Deus tinha outros planos para Ruhyan. Aos 21 anos de idade, foi consagrado ao ministério pastoral. Serviu como pastor e evangelista entre os metodistas por 32 anos.

Por causa de um problema de surdez, Runyan deixou o pastorado em 1923, para assumir responsabilidades na Universidade John Brown, trabalhando também como redator da revista Cristian Workers’ Magazine (Revista do Obreiro Cristão) e como compilador de hinários.

De 1931 a 1944, ele serviu no Instituto Bíblico Moody, em Chicago. Foi nesse Instituto que o hino Tu És Fiel, Senhor, tornou-se muito conhecido, tornando-se um dos prediletos dos alunos daquela instituição. Quando o Dr. Houghton, presidente da mesma, faleceu, o hino foi entoado por todos os presentes ao culto fúnebre.

Em 1923, quando Thomas Chisholm enviou aquelas poesias a William Runyan, este, compositor de quase 300 hinos, já havia feito umas 20 ou 25 músicas para acompanhar poesias de Chisholm, seu colega e grande amigo.

Thomas Obediah Chisholm nasceu no Estado de Kentucky, no dia 29 de julho de 1966. Nasceu em circunstancias humildes e teve de instruir-se por si mesmo. Apesar de só completar o curso primário por esforço próprio, mais tarde se tornou professor. Com 21 anos já era redator auxiliar do jornal local.

Com 27 anos, Chisholm se converteu durante uma série de conferências evangelísticas. Mais tarde, foi consagrado ao ministério pela igreja Metodista, mas o seu estado de saúde bastante precário proibiu que desenvolvesse muitas atividades. Por esta razão, ele deixou o pastorado.

Chisholm escreveu em total de aproximadamente 1.200 poesias. Faleceu no Lar Metodista de Ocean Grove, Estado de Nova Jersey, em 29 de fevereiro de 1960.

O hino Tu És Fiel, Senhor foi publicado pela primeira vez em 1923, num hinário intitulado Songs of Salvation(Cânticos de Salvação) da autoria de Runyan.

O nome da melodia, dado pela família de Runyan, é FAITHFULNESS (Fidelidade).

Um Testemunho

O Pr. Arthur Francis White, pastor batista aposentado de 88 anos de vida estava acamado no hospital. Sofrera uma queda muito brutal, que lhe fizera muito mal. Duas das suas quatro filhas revezavam-se ao seu lado. Anne, sua querida esposa de 58 anos, estava doente em casa, sem condições de estar com ele. (Havia de segui-lo para espera da volta de Jesus 4 meses mais tarde) .

Numa hora quando sua filha Hellen White Brock estava ao seu lado, o Pr Arthur pediu: “Helen, cante comigo, Tu ès Fiel, Senhor”. O Pr. Arthur possuía uma linda e possante voz de tenor. Uma de suas maiores alegrias era cantar o louvor de Cristo, a quem ele conhecera e amara desde menino, e servia fielmente há longos anos.

Helen nunca foi solista, mas cantava um contralto muito afinado no coro, e, quando necessário, regia o coro com eficiência, embora fosse mais uma instrumentista. Naquele momento, entretanto, começou o hino que ambos amavam e conheciam de cor. O pastor, com voz fraca, uniu-se a ela. Em alguns minutos, com a voz falhando, o Pr. Arthur pediu: “Continue, Helen, não posso, mais”. E assim Helen continuou a cantar este grande hino, enquanto seu pai, olhos fechados, apreciava. De repente, Helen notou que seu pai, um sorriso ainda nos lábios, parecia ter dormido. Percebeu que ele não estava mais ali. Partira para estar guardado em Cristo Jesus, esperando o dia da volta Daquele a quem ele amara e servira toda sua vida.

Este hino continuou a ser o hino da família de Helen e Ursus Brock e de suas filhas, Margaret, Edith e Mary. Foi escolhido por Ursus para fazer parte do seu próprio culto memorial, muitos anos mais tarde. Tem sido o testemunho de Edith e Dewey Mulholland por mais de 40 anos de serviço missionário no Brasil, 23 no Piauí e o restante no Distrito Federal: verdadeiramente Deus é Fiel!

Bibliografia: Rosa, Joaquim de Paula, Apresentação, Hinário Para o Culto Cristão, JUERP, 1990, p, VII.

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Dos hinos cristãos escritos nos anos mais recentes, um, em particular, sobressai como a luz de um farol, devido à sua mensagem, vinda do Pai celestial que continuamente sustenta e cuida dos Seus filhos.

Este hino,”Tu és fiel”, foi escrito por um pregador que depois se tornou repórter de um jornal, Thomas O. Chisholm, de Vineland, Nova Jersey; e a música foi composta por William M. Runyan.

Muitos hinos têm sido escritos motivados por alguma experiência particular, porém, observando a vida do sr. Chisholm, chegamos à conclusão de que este hino foi o resultado de uma experiência do “dia a dia” da fidelidade de Deus para com Ele.

A história começou em 1941. Dois homens estavam revendo a lista de membros dos Gideões, quando viram, de repente, um nome que lhes era familiar. Descobriram que era o nome do sr. Thomas O. Chisholm e com a seguinte anotação ao lado: “Cancelado por falta de pagamento”.

Eles se lembraram de que o sr. Chisholm era o autor de um hino que muito impressionou o missionário John Stam, que fora martirizado. Este mesmo hino fora o tema da vida de Stam durante os seus estudos no Instituto Bíblico Moody, quando se preparava para o serviço missionário e que, finalmente, levou-o a entregar a sua vida, juntamente com a da sua querida esposa, a fim de que outros pudessem ter vida …

Os dois homens ficaram sensibilizados com o achado. Pensaram que eles mesmos é que deviam pagar a dívida ao sr. Chisholm.

Ao mesmo tempo que o Senhor estava tocando também no coração de um homem de negócios, na cidade de Nova Iorque, o qual não podia dormir porque passava-lhe pela mente o pensamento de que o sr. Chisholm, a quem ele não conhecia pessoalmente, mas apenas através dos hinos sacros que escreveu, estava em grande aperto financeiro. Mas, como poderia fazer chegar a ele qualquer importância em dinheiro? Não sabia onde ele morava!

” Estou certo de que o procurador Jacob Stam sabe do seu endereço”, pensou ele. “Pedirei a ele para levar este dinheiro ao st. Chisholm”.

Assim fez, mas a história não termina aqui. Pela primeira vez em sua vida a família Chisholm estava enfrentando uma necessidade desesperada que, do ponto de vista humano, jamais poderia ser solucionada.

Naquela noite, quase como simples crianças, eles levaram aquele problema à presença do Pai celestial, não sabendo, contudo, que o Senhor já havia respondido. Na manhã seguinte o correio trouxe ao casal Chisholm uma única carta – era do sr. Jacob Stam – e dentro se encontrava a importância de que necessitavam, enviada pelo homem de negócios de Nova Iorque, que jamais conheceram!

Alguém poderia dizer que foi uma coincidência; mas devemos dizer como disse o sr. Chisholm: “Foi a fidelidade de Deus! ” Pois, numa carta escrita em 1949, ele disse: “Estou próximo dos meus oitenta e três anos de idade, mas a força do alto tem sido sempre suprida, juntamente com o cumprimento da Sua promessa: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades ( Filipenses 4.19).

Não somente o suprimento das necessidades, mas as ocasiões desse suprimento, têm assinalado os marcos do Seu cuidado providencial, cada dia, cada momento”.

Fonte: http://www.refrigerio.net

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 039

O Céu Azul

Letra: Joseph Adilson (1672-1719)

Título Original: The Spacious Firmament

Música: Franz Joseph Haydn (1732-1809)

Texto Bíblico: Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz. Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os consfins do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol, (Salmo 19:1-4)

 

A fama de Joseph Addison baseia-se especialmente em suas contribuições para as publicações: “The Spectator”, “The Tatler”, “The Guardian” e “The Free Holder”. Ele foi educado nos colégios Charterhouse e Magdalen, em Oxford, viajou no continente durante alguns anos, estudou a lei e política, e ocupou vários cargos importantes. Samuel Johnson falando do seu estilo literário disse:

“Quem quiser atingir um estilo inglês, familiar mas não grosseiro, elegante mas sem ostentação deverá dedicar seus dias e noites aos volumes de Addison”.

Concernente às suas contribuições para “The Spectator” disse de Addison, John Wesley: “Deus levantou o Sr. Addison e seus associados para reprovar os vícios prevalecentes no país, e para mostrar a excelência do cristianismo e das instituições cristãs. Escrito com toda a simplicidade, força e elegância da língua inglesa é lido em todos os lugares, e foi o primeiro instrumento na mão de Deus para por fim à poderosa e crescente onda de profanação e chamar os homens de volta para a religião, decência e bom senso”.

Este hino foi publicado no “The Spectator” em 1712, precedido deste comentário: “Fé e devoção crescem naturalmente nas mentes de cada pensante que vê as impressões de poder e sabedoria divinos em cada objeto sobre o qual põe seus olhos. O ser Supremo tem todas as provas de que realmente formou o céu e a terra, e estas provas os homens sensatos não podem deixar de notar, e estão acima do ruído e pressa dos afazeres humanos. O Salmista exaltou em cânticos o poder criador de Deus. (Salmos 19). Tão sublime e clara maneira de pensar proporciona assunto muito nobre para um hino; o leitor poderá ver que ela me inspirou”.

A melodia amolda-se às palavras com dignidade e beleza. “Criação” foi extraída do coro de “The Heavens are Telling”, (Os Céus Declaram), escrito por Franz Hoseph Haydn. Diz-se que Haydn ajoelhava-se em oração diariamente durante a composição do oratório “Criação”, do qual esta melodia foi tirada. A melodia é música nobre, para um belo hino.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 070

Porque Ele Vive

Letra: Glória Sickal Gaither (1942- )

Título Original: Because He Lives

Música: William J. Gaither (1936- )

Texto Bíblico: Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. (João 14:19)

 

Era 1971. Estava por nascer um filhinho no lar de Bill e Glória Gaither. Que esperança havia para o seu futuro? O casal descreve os seus pensamentos:

“Embora a história tenha revelado que este mundo nunca foi muito estável, (…) parece que o nosso século tem sido especialmente um tempo de crise (…). O nosso mundo é um planeta cheio de injustiças, traição de confiança nacional e pessoal. Assassinados, tráfico de drogas, e guerra monopolizam as manchetes. Foi no meio destas incertezas que a certeza do senhorio do Cristo vivo inundou as nossas mentes perturbadas. Ao nascer nosso bebezinho, com toda a confiança em um Cristo, vive e soberano, Foi possível pegar nosso filhinho nos braços, e escrever:

Que belo é um nenezinho,

E que prazer um filho dá!

Maior prazer é ter certeza

De um feliz futuro; Cristo vivo está.

Porque vivo está, o amanhã enfrento.

Sim, vivo está, não temerei,

Pois eu bem sei que é dele o meu futuro,

E a vida vale a pena, Cristo vivo está.“

Este hino vitorioso foi escolhido como “Hino do Ano” pela Associação de Música Gospel. E hoje, onde o povo cristão ergue a sua voz em louvor, em todos os continentes, ouvem-se estas palavras triunfantes.

William James (Bill) Gaither, co-autor do hino, nasceu em 1936 em Alexandria, no Estado de Indiana, EUA, Gaither, que fez bacharelado e mestrado na Faculdade Anderson, no estado de Indiana, foi professor do Segundo Grau durante seis anos. É autor e compositor prolífico de mais de 200 hinos, de cantatas e peças corais. É presidente de Gaither Music Company, que publica e promove sua música. O Trio Gaither, grupo notável constituído de Bill, Glória e seu irmão, Daniel, já gravou muitos discos, incluindo um disco de ouro. Seus concertos recebem enormes platéias. Gaither recebeu, durante seis anos seguidos, o prêmio Dove da Associação de Música Gospel, como “Hinista do Ano”. “O seu espírito manso e humilde e o calor da sua música têm feito (Bill) extraordinariamente popular em todo o país”. Os Gaithers são especialmente responsáveis por um novo estilo de canto congregacional que tem se alastrado nos Estados Unidos e no mundo.

Glória Lee (Sickal) Gaither, a esposa e colaboradora de Bill, e co-autora desse e de muitos outros hinos, nasceu no ano de 1942, em Battle Creek, Estado de Michigan, EUA. Preparou-se para o magistério, com Bacharel e mestrado em Artes, com concentração em inglês, Francês, e sociologia. Exerceu sua profissão até se dedicar de tempo integral, com Bill, no ministério de música.

RESSURECTION (Ressurreição) é o nome dado à melodia pelo casal Gaither para seu uso no hinário Baptist Hymnal, de 1975.

Bibliografia: Gaither, Bill and Gloria, in: Reynolds, William J., Companion to Baptist Hymnal, Nashiville, TN, Broadman Press, 1976, p. 78-79.

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 085

Lindo És, Meu Mestre

Letra: Autor Desconhecido

Título Original: Schönster Herr Jesu

Música: Autor Desconhecido

Texto Bíblico: Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; a graça se derramou nos teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre. (Salmo 45:2)

Observação: A letra foi escrita por jesuítas alemães no século 17, foi publicada no hinário Münster Gesangbuchem 1677 e traduzida para o Inglês por Joseph A. Seiss, em 1873, com o título Fairest Lord Jesus. A música é uma melodia tradicional Silesiana, conhecida como Hino dos Cruzados, do livro de cânticos Schlesische Volkslieder, de 1842; arranjada por Richard S. Willis, em 1850.

 

A Reforma devolveu aos crentes o precioso privilégio de cantar, na sua própria língua, salmos e hinos nos cultos Isso não quer dizer que não compunham e cantavam hinos antes, nos seus lares, nas suas festas, e em outras ocasiões . Da mesma maneira, os católicos tinham hinos e canções que eram os religiosos que cantavam, cada povo em seu próprio idioma, fora dos cultos. Muitos destes hinos e canções (alguns deles valiosos) foram colecionados e publicados, especialmente depois da invenção da imprensa de Gutenberg. Este é um dos mais lindos desses hinos, que felizmente veio até nós.

A história de como este hino de adoração e louvor ao nosso Salvador chegou a nós parece uma novela. Muitos acreditavam que fosse um hino das cruzadas, mas uma pesquisa cuidadosa e persistente descobriu a letra original alemã anônima, Schönster Herr Jesu (Senhor Jesus Mais Belo). Apareceu pela primeira vez no hinárioMünster Gesangburch (Hinário Münster), em 1677, com uma outra melodia, embora se creia ter sido escrita uns 15 anos mais cedo. Três séculos mais tarde apareceu, com texto um pouco alterado, no distrito de Glaz, da Silésia (agora parte da Polônia). Recebera uma melodia tradicional daquele país. Hoffman Fallersleben ouviu esta versão pela primeira vez 1839, transcrevendo-a duma recitação oral. Publicou-a em sua coletâneaSchlesische Volkslieder (Canções Folclóricas da Silésia), em 1842. Este é o hino que chegou até nós.

Outro nome muito usado para esta melodia é CRUSADER’S HYMN (Hino do Cruzado), oriundo da idéia errada de que ela seria do tempo das cruzadas. É interessante notar que o eminente compositor Franz Liszt usou esta melodia no seu oratório A Lenda de Santa Elizabeth.

Este arranjo é uma de duas importantes contribuições do compositor , escritor e critico Richard Storrs Willis, à hinodia americana em suas coletâneas, Church Choral (Coros para a Igreja) e Choir Studies (Estudos Corais) de 1850.

Richad Storrs Willis nasceu na histórica cidade de Boston, Estado de Massachussets, EUA. Bacharelou-se na célebre Faculdade Yale, em 1841. Passou seis anos na Alemanha estudando música com músicos de renome. Durante aquele tempo tornou-se amigo íntimo de Felix Mendelssohn, que muito se interessou em suas composições. Na sua volta aos Estados unidos, tornou-se crítico musical para alguns jornais importantes de Nova Iorque. De 1852 a 1864, editou três jornais e revistas de música. Depois de 1861, estabeleceu-se em Detroit , Estado de Michigan, mas passou quatro anos em Nice, na França, Willis publicou mais três coletâneas de músicas para coros sacros. Faleceu em Detroit, em 7 de maio de 1900.

Bibliografia: Braga, Henriqueta Rosa Fernandes, Música Sacra Evangélica no Brasil, Rio de janeiro, Livraria Kosmos Editora, 1961, p. 348

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O texto original deste cântico alemão apareceu no “Münster Gesangbuch” em 1677. Ninguém sabe quem o traduziu, mas foi introduzido nas congregações inglesas pelo “Church Choral and Choir Studies” (Corais para Igreja e Estudos para Coro) de Richard Storrs Willis, em Nova York, em 1850.

A melodia “Crusader’s Hymn” (Hino dos Cruzados) foi arranjada em 1850 por Richard Storrs Willis de uma melodia folclórica Silesiana, a qual apareceu em uma coleção em 1842. No prefácio desta coleção, um dos editores, Dr. Hofmann diz:

“No verão de 1826 visitei um amigo em Westphalia. Ao aproximar-se a noite ouvi os homens que trabalhavam no feno cantando; procurei investigar; eles cantavam músicas folclóricas que me pareceram boas para serem colecionadas. Com este propósito, associei-me ao meu amigo, Richter, e repartimos o trabalho entre nós dois. Ele encarregou-se da parte musical e eu fiquei com o resto. A idade desta melodia não pode ser determinada. É cantada por todas as classes e idades, desde o pastor da montanha, ao menininho que balbucia na creche”. (Extraído de “Lyric Religion” pág. 85) (Com permissão de Fleming H. Revell Co).

Esta melodia, conhecida como “The Pilgrim’s Song” (Canção do Peregrino), foi usada por Franz Liszt em sua “The Legend of St. Elizabeth” (A lenda de Stª Izabel). Liszt pensava que ela datava do tempo das cruzadas, mas, não há prova disto. Há também semelhança desta melodia com melodias de outros compositores.

Este cântico tem se tornado cada vez mais popular em congregações de todas as idades, e isto com muito merecimento. Tem a simplicidade de uma música folclórica. Sua linha melódica é bela e graciosa. As palavras são diretas e cheias de louvor a Jesus.

F. Melius Christiansen tem usado outra tradução em excelente arranjo para coro, intitulado “Beautiful Savior” (Belo Salvador).

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 095

Cristo é Tudo Para Mim

Letra e Música: Will Lamartine Thompson (1847-1909)

Título Original: Jesus Is All the World to Me

Texto Bíblico: Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, (Filipenses 3:7 e 8)

 

 

Este hino expressa muito bem o coração da pessoa que conhece “o amor de Cristo, que excede a todo entendimento” (Efésios 3:19). Cada palavra sobre Cristo baseia-se nas Escrituras. Cristo é vida, paz, luz, braço forte, consolação, amigo sem igual – a quem vou em aflição, amor, grande amigo – que merece toda a minha confiança. Esta mensagem veio do coração de um homem que conhecia e amava a Jesus com todo o seu ser. A terceira estrofe expressa o que deve ser a nossa resposta a tudo que Cristo é. São frases fortes: “Sempre o amarei; Nunca o abandonarei; Servo leal serei por toda vida.” Não se deve cantar estas palavras displicentemente! Cristo está ouvindo!

Seu autor e compositor, Will Lamartine Thompson publicou o hino no seu hinário New Century Hymnal (Hinário do Novo éculo), em 1904. Homenageou a sua querida esposa Elizabeth Johnson Thompson com o nome da melodia, ELIZABETH.

Will Lamartine Thompson (1847 – 1909) foi chamado “Trovador de Ohio”, seu estado natal (EUA). Nascido em East Liverpool, de família presbiteriana, demonstrou desde cedo o seu talento musical. Começou a compor aos 16 anos, alcançando fama 12 anos depois. Formou-se na Faculdade Mt. Union, do seu Estado, e no célebre Conservatório de Música de Boston (Massachusetts). Continuou a compor canções famosas, também estabeleceu a companhia “Will L. Thompson”, uma firma de muito sucesso que publicava músicas populares, clássicas e sacras tanto na sua cidade natal como em Chicago, Illinois. Dele, Bill Ichter fala:

“Embora tornasse o compositor milionário, nem por isso Thompson se esqueceu de agradecer a Deus que tanto o abençoou. Apesar de ser um dos cidadãos mais proeminentes de sua cidade, Thompson nunca deixou de dar testemunho do seu Salvador, que o salvou desde a sua infância. Nas palavras de um de seus amigos íntimos, Thompson possuía ‘um excelente caráter e um belo espírito que não eram menores do que o seu imenso talento musical’. Simplicidade, sinceridade, humildade e justiça foram as características da sua vida.”

Entendo-se muito devedor a Cristo, Thompson passou a compor somente músicas sacras. Comprou cavalos e uma carroça, onde colocou seu piano, “viajou o comprimento e a largura de Ohio, visitando lares rurais e cantando seus hinos”. Faleceu na cidade de Nova Iorque, cinco anos depois de ter escrito este hino de amor e dedicação. Viveu suas próprias palavras. Thompson também nos deu o muito cantado hino Manso e Suave, sobre o qual o célebre evangelista Moody disse ao autor “Will, preferia ter escrito Manso e Suave a qualquer coisa que consegui fazer em toda a minha vida”.

O tradutor deste alegre hino é desconhecido.

Bibliografia: Ichter, Bill H., Se os Hinos Falassem. Vol. I Rio de Janeiro, Casa Publicadora Batista (JUERP), s/d, p. 14..

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 099

Noventa e Nove Ovelhas

Letra: Elizabeth Cecilia Clephane (1830-1869)

Título Original: The Ninety and Nine

Música: Ira David Sankey (1840-1908)

Texto Bíblico: Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre? E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo; e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. (Lucas 15:4-7)

 

A respeito deste cântico tem-se dito: “Apenas no último grande dia se conhecerá quantas ovelhas perdidas tem sido trazidas a Jesus por seu intermédio.” Verdadeiramente, “Noventa e Nove Ovelhas,” merece a frase: “Um milagre em música.”

Ira David Sankey nasceu a 28 de agosto de 1840 em Edinburg, Pennsylvania.

Enquanto jovem, Sankey serviu na Guerra Civil Americana. Com freqüência, ajudava a unidade de Capelania e dirigia seus companheiros soldados no cântico de hinos. Depois da guerra, foi trabalhar com o Internal Revenue Service, e também Associação Cristã de Moços (YMCA). Tornou-se conhecido como cantor evangelístico e, eventualmente, chamou a atenção do evangelista Dwight Lyman Moody. Os dois encontraram-se em uma convenção da YMCA em Indianapolis, Indiana, em junho de 1870. Alguns meses mais tarde, Sankey assistiu à sua primeira reunião evangelística com Moody, e demitiu-se de seu trabalho como funcionário público logo em seguida.

Em outubro de 1871, Sankey e Moody estavam no meio de uma reunião de reavivamento, quando o iniciou-se Grando Incêndio de Chicago. Os dois homens escaparam por pouco da tragédia que se seguiu. Sankey observou a cidade queimar de dentro de um barco a remos, ao largo do Lago Michigan.

Sankey compôs mais de 1.200 cânticos durante a sua vida. Ele ficou cego, por causa de glaucoma, nos últimos cinco anos de sua vida e, sem dúvida, encontrou ânimo para seu espírito em sua amiga e parceira, a escritora de hinos cega Fanny Crosby. Sankey morreu em 13 de agosto de 1908.

Ira D. Sankey foi o inseparável companheiro de D. L. Moody nas grandes excursões evangelísticas através dos Estados Unidos e em terras estrangeiras. Foi enquanto Moody e Sankey estavam viajando de Glasgow, Escócia, para Edimburgo que Sankey descobriu as palavras para este cântico num jornal que havia comprado justamente antes de tomar o trem.

Sankey conta que ficou tão ‘impressionado com estas palavras que as recortou do jornal e tentou cativar a atenção do Sr. Moody, lendo-as para ele. Moody, no entanto, estava tão compenetrado na leitura de sua correspondência, que nem notou a maneira comovente que Sankey lia.

Sankey continua a contar:

“Na reunião da tarde, no segundo dia, (em Edimburgo), realizada no Free Assembly Hall, o assunto apresentado pelo Sr. Moody e outros oradores foi ‘O Bom Pastor’. Quando o Sr. Moody terminou de falar, chamou o Dr. Bonar para dizer algumas palavras… Em conclusão às palavras do Dr. Bonar o Sr. Moody voltou-se para mim com a pergunta: – ‘Tem você um solo apropriado para este assunto?’ Eu não tinha nada apropriado em mente, e estava muito preocupado, sem saber o que fazer… Neste momento pareceu-me ouvir uma voz dizendo: ‘use o cântico que você encontrou no trem!’ Pensei que isso seria impossível, pois, nenhuma música havia sido escrita para ele. Novamente a impressão veio sobre mim de que deveria cantar as belas e apropriadas palavras que havia encontrado no dia anterior, e colocando o pequeno pedaço de jornal no órgão, diante de mim, elevei minha mente em oração, pedindo a Deus que me ajudasse a cantar para que o povo pudesse ouvir e entender. Pondo minhas mãos no órgão toquei no tom de lá bemol e comecei a cantar.

Nota por nota, a melodia foi tirada, e não foi mudada daquele dia até hoje. Quando o cântico cessou, um grande suspiro pareceu vir da assistência e percebi que o cântico havia alcançado os corações do auditório escocês.”

Pouco tempo depois, o Sr. Sankey recebeu uma carta de uma senhora que havia assistido a reunião, informando-lhe que as palavras haviam sido escritas por sua irmã falecida, Elizabeth C. Clephane. Um hinologista mencionou que as palavras foram escritas para o irmão perdido da Srtª Clephane, que morreu bêbado no Canadá.

Hoje, “Noventa e Nove Ovelhas” é ainda usado por Deus na conquista de muitos corações. Sua mensagem profundamente espiritual e seu ensino escriturístico perfeito, tem-no tornado apreciado pelos cristãos do mundo todo.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

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Muito interessante é a história deste hino. Escrito inicialmente (1868) em forma de poesia, para uma pessoa amiga e sendo publicado depois em uma revista, tornou-se um dos hinos bem conhecidos em todo o mundo cristão.

Sua autora foi a Sra. Elizabeth C. D. Clephane, nascida em Edimburgo, Escócia, a 18 de junho de 1830 e falecida em 1869. Elizabeth era muito tímida e quieta, mas muito inteligente e amante dos livros. Um dos seus prediletos era a poesia, daí escrever várias, entre ela está a que nos referimos. Perdeu seus pais quando ainda era menina, mas nos estudos tinha sempre boas notas e era quase sempre a primeira da classe. Mas como foi que essa poesia se tornou um hino tão favorito de hoje?

Foi assim: no ano de 1874 o famoso evangelista Dwihgt L. Moody estava fazendo uma campanha de evangelização na Escócia, acompanhado do compositor e cantor sacro Sr. Ira David Sankey (1840 – 1908). Na viagem de trem, de Glasgow para Edimburgo, Sankey lia um jornal, no qual achava-se esta poesia, publicada num dos cantos da página do jornal. Deixemos que ele mesmo nos conte que sentiu:

“Fiquei tão impressionado que chamei a atenção do Sr. Moody para esta poesia. Ele pediu que eu a lesse, o que fiz com toda a energia que possuía. Ao terminar, olhei para o meu amigo Moody para ver a reação que a poesia tivera sobre ele, mas verifiquei que ele não ouviu uma palavra sequer, tão preso estava à leitura de uma carta que havia recebido dos Estados Unidos.”

Apesar dessa experiência meio desagradável, Sankey recortou a poesia do jornal e colocou-a dentro de um livro.

No segundo dia das conferências em Edimburgo o Sr. Moody falou sobre o assunto “O Bom Pastor”. Pediu depois que um certo Dr. Bonnar dirigisse algumas palavras, o qual comoveu aos ouvintes com uma breve mensagem de apenas alguns minutos. Ao final de suas palavras, Moody olhou para Sankey e perguntou: “Você tem um solo apropriado para este assunto, com o qual possamos encerrar a reunião?”

Sankey ficou perplexo! Pensou imediatamente no Salmo 23, mas desistiu, porque esse hino já havia sido cantado várias vezes, durante as conferências. De repente, Sankey ouviu uma voz dentro de si, dizendo: “Cante aquela poesia que você achou no trem”. Mais uma vez queremos citar suas próprias palavras, descrevendo essa situação:

“Eu, porém, pensei que isso seria impossível porque nenhuma música havia sido escrita antes, para esta poesia. Mas essa impressão veio mais uma vez a minha mente. Eu devia cantar aquelas belas e oportunas palavras, que havia encontrado anteontem. Colocando a poesia sobre o órgão, à minha frente, levantei o meu coração em oração a Deus, pedindo-Lhe que me ajude a fim de que o povo pudesse me ouvir e entender. Deixando as minhas mãos caírem sobre o teclado, toquei o acorde de lá bemol e comecei a cantar. Nora por nota, a melodia foi dada, e até hoje nunca foi alterada”.

Quando Sankey, terminou de cantar, pela primeira vez, esta poesia para a qual compôs esta música, verificou logo que havia alcançado pleno êxito. O Sr. Moody, com os olhos marejados com lágrimas, veio todo comovido e viu ainda o pedaço de jornal do qual acabara de cantar. “Sankey, onde você achou este hino? Nunca vi coisa semelhante em minha vida”. Sankey, também muito comovido, respondeu: “Sr. Moody, este é o hino que li para o senhor, ontem, no trem, mas o senhor não ouviu”.

E assim nasceu um dos grandes hinos missionários, que consta em quase todos os hinários evangélicos.

Fonte: http://www.uniaonet.com/osemeador01.htm

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 113

Amor Glorioso

Letra: William Spencer Walton (1850-1906)

Título Original: In Tenderness He Sought Me

Música: Adoniram Judson Gordon (1836-1895)

Texto Bíblico: De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí. (Jeremias 31:3)

 

Este hino , um dos prediletos dos evangélicos brasileiros, sobre o imenso amor de Cristo, foi escrito por W. Spencer Walton. Apareceu em The Coronation Hymnal (O Hinário da Coroação) de 1894, editado pelo compositor da melodia, Adoniram J. Gordon, e Arthur T. Pierson, ambos os líderes importantes entre os batistas do nordeste dos Estados Unidos. Foi publicado pela sociedade Publicadora Batista Americana de Filadélfia, Estado de Pensilvânia.

W. Spencer Walton (1850-1906) é conhecido na hinodia somente por este hino. Aparentemente, foi associado do Dr. A. J. Gordon na obra batista do Nordeste dos Estados Unidos. Não há maiores informações sobre ele.

O compositor, Adoniram Judson Gordon deu à melodia o nome de CLARENDON, em homenagem á igreja Batista da Rua Clarendon, da cidade de Boston, Estado de Massachusetts, da qual foi pastor por muitos anos. (ver dados do compositor no H.A. 290)

De acordo com Rolando de Nassau, Salomão Luiz Ginsburg traduziu este hino em 1914, e incluiu-o no “souvenir” da Assembléia da Convenção Batista brasileira realizada no mesmo ano no Rio de Janeiro, RJ. Publicou-o no suplemento do Cantor Cristão de 1918. Podemos imaginar aquele corajoso servo de Deus numa praça de uma cidade ainda não evangelizada, sentado ao seu pequeno harmônio, cantando com sua bela voz. Podemos imaginar a multidão a começar a rodear este intrépido pregador, muitos ficando para ouvir o seu sermão, comprando suas Bíblias, e os resultados eternos daquele encontro. Somente quando estivermos com Cristo, conheceremos o valor eterno deste simples hino de gratidão pelo amado Salvador que nos buscou.

Salomão Luis Ginsburg, de origem judaica, filho de um rabino, nasceu próximo a Suwalki, Polônia, em 6 de agosto de 1867. Dos 6 aos 14 anos, viveu em Koenigsberg, Alemanha, na casa de um tio materno, onde recebeu educação aprimorada. Quando voltou para casa, não concordou com a orientação paterna, pois este queria que ele se tornasse rabino e se casasse com uma jovem de 12 anos. Resolveu fugir. Foi para Londres e lá se converteu a Cristo. Começou a sofrer perseguições. Expulso da casa de outro tio com quem morava, foi deserdado e considerado morto pela família.

Depois de vagar pelas ruas de Londres, Ginsburg foi convidado para o “Abrigo dos Judeus Convertidos”, permanecendo ali por três anos. Manifestando o desejo de pregar, estudou mais três anos na Escola de Treinamento Missionário Regions Beyond, em Londres. Teve grande alegria em compartilhar a sua fé, mesmo em face de perseguição. Numa ocasião foi terrivelmente espancado e deixado como morto num barril de lixo.

Sentindo-se chamado para obra missionária, Ginsburg foi convidado por Sarah Kalley para vir ao Brasil. No caminho, passou seis meses em Portugal para estudar a língua; passagem encurtada pela sua publicação de panfletos apologéticos que causaram furor em altos círculos eclesiásticos do país. Como Paulo em Damasco, seus irmãos tiveram de mandá-lo fora do lugar antes que algo drástico acontecesse com ele.

Chegando ao Rio de Janeiro em 1890, Salomão Ginsburg filiou-se à Igreja Evangélica Fluminense. Dirigia uma congregação da igreja e se sustentava vendendo Bíblias. Em novembro de 1891, depois de estudar a fundo o que a Bíblia dizia sobre o Batismo, foi batizado por imersão na Primeira Igreja Batista da Bahia, por Dr. Z. C. Taylor. Logo depois foi ordenado como pastor . Em 1892, foi comissionado missionário da Junta de Richmond.

Ginsburg pastoreou a Primeira Igreja Batista do Recife, PE, Bahia [e também em] Campos e Niterói, RJ, além de trabalhar em Mato Grosso e Goiás, sempre evangelizando, sempre implantado igrejas. Por amor a Cristo, sofreu perseguições e prisões, mas nunca desfaleceu.

Ginsburg casou-se com Carrie Bishop, que fora instrumento na sua chamada missionária, mas, após 4 meses de casados, ela faleceu na Bahia, vitima de febre amarela. Em segundas núpcias, casou-se com Emma Morton, missionária da Junta de Richmond. Tiveram sete filhos.

Salomão Ginsburg fundou o Seminário Teológico Batista do Norte, foi secretário-cerrespondente-tesoureiro da Junta de Missões Nacionais e interessou-se pela evangelização dos índios. Colaborou com vários jornais evangélicos e escreveu em periódicos seculares. Foi também colportor, vendendo Bíblias em várias cidades do Brasil.

Nos trabalhos de evangelização ao ar livre, Ginsburg usava um harmônio e seu grande talento musical. Escreveu muitos hinos belos e espirituais. O primeiro hino que traduziu foi Chuvas de Bênçãos, enquanto esperava para desembarcar pela primeira vez no Brasil. Depois de mudar-se para Recife, PE, publicou, em 1891, um hinário com 16 hinos, que chamou de O Cantor Cristão. Nos anos seguintes, continuou a adicionar hinos seus e de outros hinistas, até que, na 11ª edição constavam 106 hinos de sua autoria. O Pastor Manuel Avelino de Souza o chamou de “O Davi dos batistas brasileiros” cujos hinos são “verdadeiras mensagens e belas experiências cristãs, e (…) estão profundamente arraigados na alma dos crentes”.

Bibliografia:

Souza, Manuel Avelino, In: Ginsburg, Salomão l. , Um Judeu Errante no Brasil, Trad, Manuel Avelino de Souza, 2ª Edição, Rio de janeiro, Casa Publicadora Batista (JUERP), 1970, p248-249.

Nassau, Rolando de, Os Hinos de Salomão Ginsburg no HCC-IV Rio de Janeiro, O Jornal Batista, Nº31-ANOLXXXI, 2 de agosto, 1981, p. 2.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 120

Amor Que por Amor Desceste

Letra: George Matheson (1842-1906)

Título Original: O Love That Wilt Not Let Me Go

Música: Albert Lister Peace (1844-1912)

Texto Bíblico: Assim diz o Senhor: O povo que escapou da espada achou graça no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel. (Jeremias 31:3)

 

Nascido em Glascow, Escócia, em 27 de março de 1842, filho de um abastado empresário, George Mathesonsofreu uma crescente perda da visão desde sua meninice. Aos 18 anos já estava completamente cego. Mesmo assim, mostrou-se aluno brilhante, tanto nas Academias como na Universidade de Glascow. Licenciado ministro da Igreja Livre da Escócia (Presbiteriana), tornou-se assistente na Igreja Sandyford. Mais tarde assumiu o pastorado na igreja de Clyeside, em Innellan, condado de Arvallshire, ali ministrando por 18 anos.

Em 1886, Matheson aceitou o pastorado da Igreja São Bernardo, uma igreja de 2.000 membros, em Edimburgo, capital. Nesta igreja tornou-se altamente respeitado e amado, servindo até 1899, quando sua precária saúde o forçou a se aposentar. Muito conhecido, Matheson foi um dos mais destacados ministros escoceses dos seus dias. A Universidade de Edimburgo lhe conferiu o doutorado em Divindade em 1879 e a universidade de Aberdeen o doutorado em Letras (ambos honoris causa), em 1902.

Dr. Parkhurst, famoso pregador de Nova Iorque, descreveu Matheson depois de uma visita a sua igreja:

“A união da imaginação e razão na sua pregação e a profundeza da sua teologia fazem o seu ministério ter grande e viva influência, especialmente ente os jovens. Ele entra no púlpito, que não é maior do que um barril de trigo. Tem o rosto e porte do General Grant (famoso general da Guerra Civil, e então Presidente dos Estados Unidos), mas é mais alto.

Com olhos abertos naturais, ninguém adivinharia que é cego. Agora se levanta, (…) vacila um pouco antes de ganhar o seu equilíbrio. Anunciando um Salmo, toma seus versículos sem erro de palavra. Durante o culto, pedindo diversos hinos e leituras com capítulos e versículos, ele não erra. Então ora. E que oração! Parece-me profano falar sobre ela! Sente também o coração do seu povo. Quarenta minutos ele prega e somos instruídos, restaurados e inspirados.”

Matheson escreveu muitos livros teológicos e devocionais e um livro de hinos denominado Sacred Songs(Cânticos Sacros), em 1890. Ao menos dois destes hinos foram traduzidos para o português. Este, que aparece em muitos hinários evangélicos, e um outro muito profundo: Cativa-me , Senhor, que apresenta o enigma: a vitória real vem através de rendimento incondicional.

Sobre o surgimento do hino Amor que Por Amor Desceste Matheson escreveu:

Ele não foi composto. Veio, como inspiração. Lembro-me muito bem da ocasião. Foi em Innelan, numa noite de junho de 1882. Eu tinha sofrido uma perda enorme e estava muito deprimido. Enquanto sentava ali acabrunhado, as palavras brilharam na minha mente como relâmpago, e em poucos minutos as quatro estrofes estavam completas. Parecia que elas tinham sido ditadas a mim por mão invisível, completas em linguagem e ritmo.

O poeta não nos conta a fonte do seu sofrimento, mas relata que a ocasião foi no dia do casamento da sua amada irmã, que sempre fora sua mão direita. Aprendeu grego, latim e hebraico, para melhor ajudá-lo nos seus estudos teológicos. Esta irmã continuou a colaborar com ele durante toda sua vida. Era ela quem o guiava nas suas visitas pastorais. Concordo com Bailey que acha que o casamento dela trouxe a Matheson a lembrança de uma outra perda, a da sua noiva que o deixou, tantos anos antes, quando soube que ele se tornaria completamente cego, e que o intenso sofrimento de estar na escuridão da sua cegueira, totalmente só, foi o que afligiu o autor.

O hino apareceu pela primeira vez em 1883, em Life and Works (Vida e Obra), o periódico mensal da Igreja da Escócia. Em 1885, foi incluído no Scottish Hymnal (Hinário Escocês). Matheson faleceu repentinamente em 28 de agosto de 1906. Certamente, naquela hora, houve júbilo inexorável para aquele servo de Deus, ao deixar, para sempre, este mundo de escuridão para a luz do rosto do seu Salvador!

O dinâmico evangelista e hinista Henry Maxwell Wright não tentou traduzir este maravilhoso hino, mas adaptou-o em 1912. Foi publicado na coletânea In Memoriam Henry Maxwell Wright por seu grande amigo J. P da Conceição, juntamente com o seu acervo de 151 hinos e 42 coros. Seguindo-se logo sua inclusão em outros hinários evangélicos, este hino tornou-se muito amado em todo o Brasil.

Albert Lister Peace compôs esta linda melodia para o hino de Matheson para a edição de 1885 do The Scottish Hymnal a pedido dos seus editores.

Acredita-se que seu nome ST. MARGARET homenageia Margaret, a rainha de Malcom III da Escócia, canonizada em 1251. Sobre esta melodia, Peace falou:

“Foi composta (…) durante a época em que a música, estava em preparo. Escrevi-a em Brodick Manse, [em Arran, uma das pequenas ilhas ao oeste do norte da Escócia] durante uma visita a meu velho amigo o Sr. McLean. Não havia uma melodia daquela métrica disponível naquele momento, então a Comissão do hinário me pediu que escrevesse uma especialmente para o hino, escrevi a música logo em seguida e posso dizer que a tinta da primeira nota tinha acabado de secar pouco antes de eu terminar a última.”

Albert Lister Peace (1844-1912), nascido em Huddersfield, no condado de Yorkshire, Inglaterra, foi um prodígio musical. Aos cinco anos demonstrava a capacidade de identificar a altura de qualquer som que ouvia (diapasão absoluto). Tornou-se organista da sua igreja em Holmfirth aos nove anos. Continuou a tocar em outras igrejas da região até 1869, quando se mudou para a Glascow, assumindo a posição de organista da Universidade e da Catedral da cidade. Bacharelando-se na Universidade, fez doutorado, em música em Oxford (Inglaterra). Em 1897, aceitou a posição de organista em St. George’s Hall em Liverpool, continuando no cargo até sua morte em 1912. Peace foi um notável organista. Tornando-se membro do Royal College of Organistas(Faculdade Real de Organistas), organização nacional de honra, em 1866, foi reconhecido em toda a nação. Editou diversos hinários para a Igreja Livre da Escócia.

Bibliografia: Bailey, Albert Edward, The Gospel in Hymns, New York, Charles Scribner’s Sons, 1950, p. 458

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George Matheson chamava este hino “The Fruit of Pain“, (O Fruto da Dor), e relata o seguinte:

“Meu hino foi composto na casa pastoral de Innellan, na noite de 6 de Junho de 1882. Eu estava sozinho. Era o dia do casamento da minha irmã e o resto da família estava passando a noite em Glasgow. Algo, que apenas eu sabia, me havia acontecido, e isto causava-me o mais tremendo sofrimento mental. O hino foi o fruto deste sofrimento. Foi o trabalho que executei o mais rapidamente em minha vida. Tinha a impressão de que uma voz interna ditava para mim, em vez de o estar fazendo por mim mesmo. Tive a impressão de que todo o trabalho foi completado em cinco minutos, e nunca o retoquei ou corrigi.” Ele disse mais: “Não tenho dom natural de rima. Todos os outros versos que tenho escrito são manufaturados; este surgiu como o amanhecer. Nunca mais fui capaz de expressar o mesmo fervor em versos.”

Após ouvir o Dr. Matheson pregar na igreja da paróquia de S. Bernardo, em Edinburgh, o Dr. Charles Parkhurst disse dele:

“Anunciando um Salmo, ele repete suas palavras sem enganar-se a vários hinos e a referencia escriturísticas, citando capítulos e versículos, sem nunca errar. No final ele ora, e que oração. Parece profano escrever a respeito dela. Apesar de não possuir a vista, vê a Deus, e vê dentro dos corações do seu povo. Ele pregou por quarenta minutos e nós fomos instruídos, refrigerados, inspirados.”

Apesar de ser fisicamente cego, Matheson expressa uma experiência espiritual rica neste seu hino.

O compositor da melodia “St. Margaret”, Albert L. Peace, diz o seguinte concernente a sua origem:

Ela foi composta durante o tempo em que as músicas do “Scottish Hymnal”, do qual eu era redator musical, estavam em preparação. Escrevi-a na casa pastoral de Brodick, onde estava em visita ao meu velho amigo Sr. McLean. Não havia nenhuma melodia a disposição com aquela métrica e assim a Comissão do Hinário pediu-me que escrevesse uma especialmente para o hino do Dr. Matheson. Após ler o hino cuidadosamente, escrevi a música toda de uma só vez, e posso dizer que a tinta da primeira nota ainda não estava bem seca, e eu já havia terminado toda a melodia.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 141

O Dia Não Sei

Letra e Música: Franklin Edson Belden (1858-1945)

Título Original: We Know Not the Hour

Texto Bíblico: Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai. (Mateus 24:36

 

 

Franklin Edson Belden nasceu em Battle Creek, Michigan, a 21 de março 1858 e foi o mais velho dos cinco filhos que nasceram a Stephen and Sarah Belden. Sarah era a irmã mais velha de Ellen White, uma pioneira da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Grande parte da educação de Franklin foi obtida no Colégio de Battle Creek.

Por volta de 1876, quando tinha dezoito anos de idade, a família de Belden mudou-se para a Califórnia, juntamente com seu pai, sua madrasta e Tiago e Ellen White, seus tios, onde começou a compor. Por causa de problemas de respiratórios, mudou-se mais tarde para o Colorado, onde conheceu e casou-se, em 1879, com Harriet MacDearmon, que também era musicalmente talentosa.

O casal voltou a Battle Creek no início da década de 1880, onde Belden ligou-se à Review and Herald Publishing Company, uma editora mantida pelos Adventistas do Sétimo Dia. Ele e Edwin Barnes serviram como editores de música do Hymns and Tunes (Hinos e Cânticos), que foi publicado em 1886. Belden também colaborou com seu primo, J. Edson White, em vários livros de cânticos. Por algum tempo, serviu como diretor geral da Review and Herald. Ele permaneceu na obra Adventista até 1910, quando começou a escrever músicas para o evangelista Billy Sunday.

Uma discórdia surgiu entre Belden e a Review and Herald, acerca dos direitos autorais do hinário Hymns and Tunes. Foi relatado que Belden era ganancioso e queria o dinheiro. Na verdade, o acordo com a Conferência Geral em 1886 era que a sua parte dos direitos autorais deveria ir para o trabalho das missões. Quando aReview and Herald assumiu os direitos do hinário, Belden não quis que a sua parte fosse para a casa publicadora. O assunto nunca se resolveu completamente. Desiludido, separou-se da obra da igreja, mas não “abandonou seu comprometimento com a igreja ou com o Senhor”. Embora os últimos dias de Belden tenham sido maculados por mal-entendidos com a liderança da igreja acerca de seus direitos autorais, depois de sua morte todas seus papéis, composições e manuscritos foram doados para o Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia.

O gênio poético e musical de Belden era demonstrado por sua prática freqüente de escrever um cântico que combinasse com um sermão enquanto este ainda estava sendo apresentado. Ele e sua esposa sentavam-se no coro; ali ele apanhava o texto bíblico do sermão como tema e, captando a exposição do pregador, escrevia a letra do hino. Em seguida compunha a música e, ao término do culto, ele e a esposa cantavam o hino recém composto como o hino final. Christ in Song (Cristo em Cânticos), publicado em 1900 é a mais reconhecida contribuição de Belden à hinodia Adventista do Sétimo Dia. O Hinário Adventista brasileiro inclui treze hinos compostos por ele, letra e música e mais quatro músicas suas para textos escritos por outros autores, além de uma letra musicada por outro compositor; isto é mais do que qualquer outro colaborador adventista

 

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 152

Vencendo Vem Jesus

Letra: Julia Ward Howe (1819-1910)

Título Original: Battle Hymn of the Republic

Música: John William Steffe (? – ?)

Texto Bíblico: E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos. (Apocalipse 11:15)

Observação: Este hino também é muito conhecido pelas primeiras palavras do primeiro verso: Mine Eyes Have Seen the Glory. A música é uma melodia tradicional Americana, atribuída a John William Steffe.

 

Foi no outono de 1861 que a escritora Julia Wad Howe e seu marido, médicos a serviço do governo dos Estados Unidos, mudaram-se para Washington D.C., capital. Julia, abolicionista, mas pacifista, angustiou-se ao ver a atmosfera de ódio e as preparações frenéticas para uma guerra entre os Estados. Dia após dia as tropas passaram por sua porta, cantando John Brown’s Body (O Corpo de John Brown), canção de melodia contagiante que contava a história da morte de John Brown, com alguns dos seus filhos, num violento esforço individual para acabar com a escravidão. Um dia, enquanto ouviam as tropas cantando, um visitante do casal, o pastor da sua igreja anterior, conhecendo a sua habilidade de poetisa, virou-se para Julia e a desafiou:”Porque a senhora não escreve palavras decentes para aquela melodia?” “Farei isto!” respondeu Julia. As palavras vieram a ela antes do novo amanhecer. A senhora Howe relata:

“Acordei na penumbra da madrugada, e enquanto esperava a aurora, as linhas do poema começaram a se entrelaçar na minha mente. Disse a mim mesma, ‘Preciso me levantar e escrever estes versos, para não tornar a dormir e perde-los!’ Então me levantei e no escuro achei uma pena desgastada, que me lembrei de ter usado o dia anterior . Rabisquei os versos quase sem olhar o papel.”

Assim nasceram palavras “decentes” e empolgantes para aquela melodia muito conhecida, que surgira nos Camp Meetings do Sul anos antes da guerra civil. Em pouco tempo, todo o Norte estava cantando a letra de Julia Ward Howe. O hino foi publicado no periódico mensal Atlantic Monthly (Revista Mensal Atlântico) em Boston, Estado de Massachusetts, em fevereiro de 1862. Conta-se que a primeira vez que o presidente Lincoln ouviu o hino, chorou e pediu:”Cante-o mais uma vez.”

Ao longo dos anos, o hino perdeu qualquer resquício de partidarismo e tornou-se um dos hinos mais amados dos Estados Unidos. Arranjos maravilhosos deste hino foram feitos por compositores de renome e cantados nos momentos mais solenes do país. Foi cantado na posse do Presidente Lyndon Johnson, e, tornando-se internacional, no culto funerário de Winston Churchill, como planejado por ele mesmo.

Julia Ward Howe, (1819-1910) nascida em Nova Iorque numa família de distinção, se uniu com seu marido, o Dr. Samuel Gridley Howe, em obras humanitárias. Foi pioneira no movimento para o voto feminino, abolicionista ardente, pacifista e muito ativa nas obras sociais. Tornou-se oradora destacada de muita influência. Em 1870, organizou uma cruzada com este alvo:que as mulheres do mundo se organizassem para acabar com a guerra de uma vez por todas. Pregava freqüentemente na sua denominação e em outras, Julia publicou, entre outros escritos, três volumes de poesia. Em 1910, doze dias antes da sua morte, foi lhe conferido um Doutorado em Direito (honoris causa) em homenagem às suas muitas realizações humanitárias.

Nas mãos do inesquecível Ricardo Pitrowsky este hino tornou-se um hino triunfante da volta de Jesus, assunto que empolgava este servo de Deus. Sua excelente adaptação da letra de Julia Wrd Howe fez o hino amado em toda a nação brasileira. Ao fazê-la Pitrowsky escreveu:

“Este hino é a expressão da gloriosa esperança da segunda vinda de Jesus a este mundo, para ser, no fim, vitorioso sobre todas as forças do maligno. Isto nos dá coragem para proceder na sua obra.”

O nome desta melodia americana, BATTLE HYMN (Hino da Batalha), vem das primeiras palavras do título do hino no original

Bibliografia: Pitrwsky, Ricardo. In: Paula, Isidoro Lessa de, Early Hymnody in Brazilian Baptist Churchs, Fort Word, School of Church Music, Southwestern

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 166

Novas de Amor e Vida

Letra e Música: Philip Paul Bliss (1838-1876)

Título Original: Sing Them Over Again to Me

Texto Bíblico: O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. (Lucas 2:10 e 11)

 

Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns(Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos):

“Enquanto visitava um homem que muito sofria de gota reumática, fui levado a entoar ‘Novas de Amor e Vida’. Quando terminei, e enquanto as lágrimas ainda lhe rolavam pelas faces, ele exclamou: -’Oh, cantai, outra vez, cantai, Novas de amor e vida! Elas tiram toda a minha dor’. Assim, repeti esta mensagem enviada por Deus, ao pobre sofredor, o qual pouco depois descansou.”

“Noutra ocasião este cântico tornou-se-me bastante útil. Eu estava pregando num domingo à noite em Dartmouth, num salão apinhado de gente, quando um jovem caiu de sua poltrona, perto do púlpito, pondo em perigo o meu trabalho devido à confusão. Comecei então a cantar, ‘Novas de Amor e Vida’, ao que toda congregação juntou-se de coração. Quando terminamos o cântico, o jovem já se havia recuperado do desmaio, e assentado ouviu atenciosamente meu sermão, cujo tema era: ‘Há Espírito e Vida na Palavra de Deus’. Os presentes viram no acontecido uma viva ilustração do cântico e do sermão.”

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 159

Chuvas de Bênçãos

Letra: Daniel Webster Whittle (1840-1901)

Título Original: Showers of Blessing

Música: James McGranaham(1840-1915)

Texto Bíblico: E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênçãos serão. (Ezequiel 34:26)

 

Era 10 de junho de 1890, Salomão Ginsburg olhava pela portinhola do navio atracado no porto do Rio de janeiro. A sua frente via as luzes da cidade e do novo país para onde Deus o mandara. Pela manhã estaria em terra firme. Quanta emoção experimentava com esta expectativa! Quantas recordações! Lembrava do seu primeiro lar na Polônia, do seu pai rabino que observou quando ele se tornou crente, da sua mãe que cuidou que ele tivesse uma educação privilegiada na Alemanha, e que fosse para a Inglaterra ficar com seu tio e aprender a arte de tipografia. Lembrou-se do seu primeiro encontro com judeus convertidos, sua própria conversão e as duras penas que sofreu alegremente para compartilhar sua nova fé.

Agradeceu a Deus pelos anos de treinamento para o ministério, e por sua noiva, que o despertou para missões, e que esperava segui-lo mais tarde. Pensou nos seis meses que passou estudando português em Portugal, do panfleto polêmico que conseguiu publicar com a ajuda de Joseph Jones, e a sua distribuição que criou a necessidade de sair de Portugal para não ser preso. Agradeceu a Deus por tudo isso. Sentiu que a sua vida e o seu ministério apenas começavam, que Deus faria grandes coisas nesta nova terra.

Folheando um hinário que trouxera da Inglaterra, viu o hino Showers of Blessings (Chuvas de Bênçãos), que o levou a pensar: “Até agora as bênçãos que recebi foram somente gotas em face às Chuvas de Bênçãos que hão de vir”.Tomou sua pena e se pôs a traduzir esta mensagem na sua nova língua, que estudara tão diligentemente nos últimos seis meses. Deu graças a Deus por sua aptidão e experiência em línguas neste longo caminho que trilhara. Finalmente, estava satisfeito. Seu primeiro hino traduzido para o português, estava completo! Mostraria para seu companheiro de viagem, o evangelista português, Henry Maxwell Wright, para revisão e correção.

Salomão Luiz Ginsburg não podia saber que este hino seria o primeiro entre 105 letras e traduções que faria nos anos à sua frente; que ele seria o “Pai do Cantor Cristão”; que deixaria nos 37 anos que Deus lhe daria neste grande país, não somente a herança de um grande número de brasileiros salvos, de igrejas fundadas, de publicações, de escolas para treinamento de obreiros, de convenções, mas a herança inestimável de hinodia brasileira. Certamente as “gotas” que já recebera se transformariam em verdadeiras Chuvas de Bênçãos, na verdade, numa grande inundação de bênçãos que Deus proporcionaria através da sua vida totalmente dedicada a Ele.

Este hino foi escrito pelo major Daniel Webster Whittle, militar e comerciante transformado em evangelista e hinista. A melodia SHOWERS OF BLESSINGS foi composta por James McGranahan, que compartilhava o ministério de Whittle como músico, depois da morte trágica de Philiph P. Bliss.

Ira D. Sankey publicou o hino pela primeira vez, na sua coletânea Gospel Hymns, N° 4 em 1883, e o incluiu em todas as edições que se seguiram. O nome da melodia apareceu desde sua primeira publicação. Seguiu-se também a publicação do hino nas diversas edições do Sacred Songs and Solos, que Sankey publicou na Inglaterra.

Fonte: JUERP (Casa Publicadora Batista)

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 172

Na Cruz Morri por Ti

Letra: Frances Ridley Havergal (1836-1879)

Título Original: I Gave My Life for Thee

Música: James Edson White(1849-1928)

Texto Bíblico: e disse-lhes: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai. E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres. Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. (Marcos 14:34-38)

Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns (Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos):

Quinze anos após este cântico haver sido escrito, a Srtª Havergal disse a respeito dele: -

“Sim, o hino ‘Na Cruz Morri Por Ti’, é meu, e talvez o senhor se interesse por ouvir como ele quase foi para o fogo, em vez de ir para quase todo o mundo. Esta foi, eu creio, a primeira coisa que eu escrevi que pode ser chamada de cântico; foi escrito em 1859 quando eu era mocinha.

Eu mesma não compreendi o que estava escrevendo. Estava seguindo a Jesus com uma fé tremula, e constrangida, sempre atrás, nunca vendo Sua face ou tendo certeza de que Ele me amava. Escrevi estas palavras em poucos minutos nas costas de um circular, e então as reli e pensei: ‘Bem, isto não é poesia mesmo; não me darei ao trabalho de copiá-la!’ Estiquei minha mão para jogá-la no fogo, quando um impulso repentino me fez mudar de idéia e eu a coloquei, amassada e rasgada no meu bolso.

Logo depois, fui ver uma querida velhinha num asilo. Ela começou a falar-me como sempre, a respeito do seu querido Salvador, e eu quis ver se ela, uma velhinha simples, se interessava por versos, os quais, eu tinha certeza, ninguém mais se interessaria de ler. Li-os, e ela ficou tão encantada com eles que eu os copiei e guardei. Agora o Mestre os tem mandado a todos os lugares, e tenho ouvido que eles têm sido uma grande bênção para muitos.”

Algum tempo mais tarde a Srtª Havergal mostrou os versos ao seu pai, que compôs uma melodia especialmente para eles; no entanto, a melodia que o Sr. Bliss compôs para estes versos é a que se tornou popular na América.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 190

Seu Maravilhoso Olhar

Letra e Música: John Willard Peterson (1921-2006)

Título Original: His Wonderful Look of Love

Texto Bíblico: Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente. (Lucas 22:61 e 62)

Observação: Este hino é um trecho da conhecida cantata Maior Amor, normalmente executada na época do Natal.

John Willard Peterson (ver nr. 142) tem proporcionado centenas de hinos e dezenas de cantatas para as igrejas evangélicas ao redor do mundo por mais de três décadas. No Brasil, de Norte a Sul, ouve-se á sua música. De todas as cantatas de Peterson, Maior Amor, escrita em 1958, talvez seja a mais cantada no Brasil, deste gênio da música sacra que compôs sua música sempre lembrando das possibilidades e limitações dos musicistas das igrejas locais. A eternidade revelará o quanto sua vida tem tocado as vidas de pessoas no mundo inteiro.

No prefácio desta cantata, John Peterson escreveu o seguinte:

O maior e mais sublime elemento do universo é o amor. O acontecimento principal da história humana é o Calvário, onde o Maior Amor de Deus pela humanidade foi profundamente expresso na morte vicária do Seu Filho Unigênito, (…). Lançamos esta obra pedindo a Deus que ela seja instrumento de luz e vida para corações endurecidos pelo pecado. Para que cristãos que a cantem ou a ouçam sejam, novamente, cheios de gratidão a Deus pelo Calvário, levados a oferecer suas ofertas de gratidão e louvor a ele que “nos amou e se deu a si mesmo por nós”.

Na cantata, logo depois da cena da morte de Cristo na Cruz, e o canto do coro “Não há maior amor que o Salvador na cruz”, um contralto ou coro feminino e coro misto cantam este hino comovente e muito cantável.

A tradução desta cantata foi feita no ano de 1968 por Joan Larie Sutton, Irmagard Rehn e Helena de Morais Teixeira, como parte da disciplina Arranjos e Composição ensinada por Joan no seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Este hino faz parte desta cantata “Maior Amor”.

Bibliografia: Peterson, John Willard, Maior Amor, Rio de janeiro, JUERP, 1958, Prefácio.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 191

Quero Estar ao Pé da Cruz

Letra: Fanny Jane Crosby (1820-1915)

Título Original: Near the Cross

Música: William Howard Doane(1832-1915)

Texto Bíblico: Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. (Gálatas 6:14)

 

Assim como muitos outros cânticos escritos por Fanny Crosby, as palavras deste foram escritas para uma melodia já composta pelo Sr. Doane, e a pedido seu. As palavras e a melodia adaptam-se maravilhosamente uma a outra, e o cântico continuara a ser usado mesmo depois que outros mais apreciados tenham sido esquecidos.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

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Quando o pai de Fanny Jane Crosby faleceu, sua mãe precisou deixá-la com sua avó, e depois com uma amiga crente, Senhora Hawley, enquanto procurava ganhar o sustento da sua família. Estas duas senhoras amavam muito a pequena Fanny e se empenharam em ensiná-la tudo que pudesse ajudá-la a ser uma pessoa de muito valor.

A Srª. Hawley, uma calvinista convicta, propôs a Fanny a tarefa de decorar a Bíblia inteira, dando à menina um número de capítulos para aprender cada semana, muitas vezes até cinco. Foram repetidos linha por linha, plantados na mente dela “preceito sobre preceito” (Isaías 28:10). Sendo jovem, dotada e com uma memória fenomenal, Fanny não teve dificuldade em dominar o Pentateuco e os quatro evangelhos até o fim do primeiro ano. No fim do segundo ano, Fanny podia repetir de memória estes livros e muitos Salmos, todos os Provérbios, Rute e (…) o Cântico dos Cânticos.

Assim continuou este treino maravilhoso. O resultado foi que mais tarde, Fanny não precisava de alguém para ler as Escrituras para ela. Quando ela queria meditar sobre um trecho, “ligava um botãozinho na sua mente e a passagem apropriada fluiria por seu cérebro como uma fita cassete”.

Fanny testificou quando tinha 85 anos: “Este livro Santo tem me nutrido durante a minha vida”.

Foi neste amplo reservatório e constante comunhão com Deus que Fanny achou a força para viver e o conteúdo para seus 9.000 hinos.

Um dia William Howard Doane, seu parceiro de centenas de hinos, trouxe uma melodia para Fanny, com um pedido urgente. Precisava de um bom hino para aquela noite numa reunião evangelística! Pediu a sua amiga: “Pode dar-me um texto apropriado para esta melodia agora mesmo?” Fanny, para quem um pedido desse tipo não era novidade, aquiesceu. Depois de ouvi-lo tocar sua melodia algumas vezes no harmônio da sua sala, como era o seu costume, ela foi se ajoelhar diante do Senhor no seu pequeno quarto. Na oração, as palavras para o hino “Quero Estar ao Pé da Cruz” vieram a ela com clareza.

Certamente ela tinha meditado na passagem de João 19 e notado que aquelas mulheres, em contraste com a maior parte dos discípulos, ficaram bem junto à cruz. “Sim, na cruz, sempre me glorio”, do estribilho, descrevia sua determinação de ser como Paulo (Gálatas 6:14), de gloriar-se sempre e somente na cruz de Jesus.

Ao receber a letra da sua parceira, muito satisfeito com este hino “para o qual o futuro reservaria larga difusão”, Doane cantou-o naquela noite e publicou-o na sua coletânea Bright Jewels (Jóias Brilhantes) em 1869. Deus à melodia o nome NEAR THE CROSS (Perto da Cruz) do título original do hino. Sankey também o publicou logo nas suas coletâneas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e o hino difundiu-se rapidamente.

Bibliografia: Ruffin, Bernard; Fanny Crosby, Philadelphia, PA, United Church Press,1976, p.30

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 204

Maravilhosa Graça

Letra e Música: Haldor Lillenas (1885-1959)

Título Original:

Texto Bíblico: para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. (Efésios 2:7)

Este triunfante hino de gratidão a Cristo por sua maravilhosa graça foi escrito, letra e música, pelo conhecido hinista e publicador, Haldor Lillenas, em 1918, em Auburn, Illinois, EUA. Faz parte de uma grande quantidade de música que Lillenas escreveu para o evangelista-cantor, Charles M. Alexander. Lillenas deixou este relatório sobre o hino:

“Em 1917, a senhora Lillenas e eu construímos nosso primeiro pequeno lar na cidade de Olivet, Estado de Illinois. A completá-lo, havia pouco dinheiro para mobiliá-lo. Sem piano naquele tempo, eu precisava de algum instrumento. Consegui comprar um velho e asmático harmônio de um vizinho por $ 5,00. Foi neste instrumento que vários dos meus melhores hinos foram escritos, inclusive ‘Maravilhosa Graça’ “.

Apresentado pelo evangelista Homer Hammontree, numa conferência bíblica do mesmo ano, este hino foi publicado no hinário Tabernacle Choir (Coro do Tabernáculo), em 1922. Por incrível que pareça, Lillenas vendeu os direitos desta música por cinco dólares!

Haldor Lillenas nasceu na Ilha Tord, perto de Bergen, na linda região dos fiordes da Noruega, em 19 de novembro de 1885. Emigrando com sua família para os Estados Unidos ainda criança, morou no Estado de Dakota do Sul por dois anos. Depois, a família se estabeleceu em Astória, Estado de Oregon. Lillenas foi confirmado na Igreja Luterana aos quinze anos, mas converteu-se sob o ministério da Missão Peniel. Sentiu a chamada de Deus para o ministério e estudou na faculdade de Deet, em Los Angeles (hoje, Faculdade de Loma Linda, na cidade do mesmo nome na Califórnia).

Lillenas casou-se com Bherta Mae Wilson, também uma hinista. Ambos foram líderes da Igreja do Nazareno. Continuaram estudos em harmonia, contraponto e composição na Escola de Música Siegel-Myers em Chicago, Estado de Illinois. Viajou como evangelista de 1912 a 1914, e depois, pastoreou igrejas em Califórnia, Illinois, Texas e Indiana. Durante estes anos, forneceu hinos e música para coros para muitos evangelistas da época, inclusive Alexander e Hammontree.

Em 1924, Lillenas fundou a Companhia de Música Lillenas em Indianápolis, Estado de Indiana. A empresa foi comprada pela publicadora da Igreja do Nazareno em 1930, mas Lillenas continuou como editor musical por 20 anos. Este talentoso servo de Deus escreveu mais de 4.000 hinos e peças corais (letra e música), alguns dos quais são conhecidos no Brasil. Foi-lhe conferido o Doutorado em Música (honoris causa), da Faculdade Nazarena Olivet, em Kankakee, Estado de Illinois.

Wonderful Grace (Maravilhosa Graça), o nome da melodia, vem das primeiras palavras do título, tema do hino. Harold Lillenas queixou-se que geralmente, o hino é cantado ligeiro demais, “Um hino deve ser cantado duma maneira que as palavras possam ser pronunciadas sem pressa demasiada”, disse ele.

A dotada missionária Alyne Guynes Muirhead traduziu este hino para sua coletânea Antemas Celestes (1956). O seu uso se alastrou por todo o Brasil com grande entusiasmo. Foi a primeira entre cinco coletâneas publicadas pela Casa Publicadora Batista, hoje JUERP, preparadas por ela.

Bibliografia: Osbeck, Kenneth W, 101 More Hymn Stories, Grand Rapids, MI, Kregel Publications, 1985, p. 314.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 205

Alvo Mais que a Neve

Letra: Eden Reeder Latta (1839-1915)

Título Original: Blessed Be the Fountain (of Blood)

Música: Henry Southwick Perkins (1833-1914)

Texto Bíblico: Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. (Isaías 1:18)

“Quase 3. 000ANOS depois da queda de Davi [no pecado] não precisamos olhar longe para achar os seus sucessores!” Olhemos bem com Don Wyrtzen o Salmo em que este hino é baseado:

Nesta petição muito pessoal ao Senhor, Davi reconhece que ele mesmo não pode, de maneira nenhuma, corrigir sua natureza pecadora. Somente o Deus que o criou pôde purificá-lo, renova-lo e restaurá-lo. (…) Eu também preciso de uma obra profunda de Deus na minha vida. Como Davi, anseio por cirurgia radical espiritual-purificação, restauração, um coração lavado, o poder transformador do Espírito Santo e a (…)recuperação da alegria da minha salvação!

O Cordeiro de Deus pagou um preço muito alto para que nossos pecados pudessem ser perdoados e lavados. O preço foi o seu sangue, a sua morte, o tomar sobre si os nossos pecados. “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fossemos feitos justiça de Deus”(II Coríntios 5:21). Este mesmo sangue que nos lava e nos salva na hora em que aceitamos a Cristo como Salvador, nos perdoa e purifica dos nossos pecados confessados, dia após dia(I João 1:9). “Seja Bendito o Cordeiro” deve ser o nosso cântico todos os dias da nossa vida. Um dia, pelo sangue salvador de Jesus, também estaremos com as multidões que proclamam:”Ao que está sentado sobre o trono, e ao cordeiro, seja o louvor e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 5:13).

O autor deste hino muito cantado pelos cristãos brasileiros foi Éden Reeder Latta. A única informação que temos sobre este autor é que nasceu em 1839. Provavelmente, o hino apareceu pela primeira vez na coletâneaSacred Songs and Solos (Cânticos e Solos Sacros) nº. 396, de Sankey 1881. Seu título era The Blood of tue Lamb (O Sangue do Cordeiro).

Esta coletânea indica que a melodia é um arranjo de H. S. Perkins. Assim, presumidos que seja da mesma data. Como no caso de Latta, não há informações disponíveis neste momento sobre Henry Southwick Perkins, o compositor da melodia, além do fato dele ter nascido em 1833 e falecido em 1914.

A excelente adaptação deste hino, feita em 1914, é uma das quase 200 produções do dinâmico evangelista e hinista Henry Maxwell Wright. Como muitas outras, foi incluída em quase todos os hinários evangélicos brasileiros.

Bibliografia: Wyrtzen, Don – Fugue on Forgiveness: Musician Looks at the Psalms, Grand Rapids, MI, Zondervan Publishing House, 1988, p. 231

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 207

Vida em Olhar

Letra: Amelia Matilda Hull (1825-1884)

Título Original: There is Life for a Look

Música: Edward G. Taylor (sécuno 19)

Texto Bíblico: E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. (João 3:14 e 15)

Observação: A música deste hino foi publicada em 1860.

 

Um dos convites à salvação mais comoventes, é este, que roga : “Vê, vê, viverás! Vida tens em olhar a Jesus, Salvador, Ele diz: Vida em Mim acharás”. A eternidade vai revelar quantas pessoas aceitaram o convite de Jesus ao som deste hino.

Aqui vai o relato da vida de Amélia Matilda Hull, a quem Deus deu a graça de compor estes lindos versos inspirados pelo Espírito Santo.

Temos em I Coríntios 1:26, que “… não foram chamados muitos sábios segundo a carne…, nem muitos de nobre nascimento”, mas assim mesmo, Deus, na Sua maravilhosa graça, visita, às vezes, tais famílias com a Sua salvação.

A família Hull, de Devon, Inglaterra, foi um exemplo dessa divina intervenção. Era uma família nobre, de nomeada tradição, que vivia em Marpool Hall, nas cercanias de Exmouth. Apesar de a antiga casa ser substituída por um parque público, permanece ainda, naquela parte da Inglaterra, alguma memória dos Hulls, de Marpool Hall.

Amélia Matilda Hull nasceu no dia 30 de Setembro de 1812 e era a mais nova dos onze filhos de William Thomas e Harriot Hull, de Marpool Hall. Seu pai era um capitão militar aposentado. Pouca coisa se sabe da vida particular de Amélia, a não ser a história da sua conversão. Aliás, as circunstâncias daquele grande evento são tão cheias de interesse e tão inexplicavelmente ligadas ao surgimento deste amável hino, “Vida por um olhar”, que vale a pena conhecer a sua história.

Consta que Amélia ouviu o Evangelho pela primeira vez quando tinha vinte anos de idade. Um evangelista visitante armou a sua tenda próximo da casa de sua família e toda a vizinhança foi convidada a ouvir o Evangelho.

Uma noite Amélia aventurou-se a ir. Esgueirou-se na parte de trás da tenda e ouviu com bastante atenção o Evangelho de Jesus Cristo. Seu coração ficou sobremodo abalado. Quando voltou para casa contou ao seu pai onde havia estado e ele ficou furioso. Disse-lhe que ela não devia associar-se com aqueles “crentes” e que aquelas reuniões não eram dignas de alguém de posição elevada como ela. Ao mesmo tempo, proibiu-a de voltar a assistir àquelas reuniões.

Contudo, o coração de Amélia já havia recebido as gotas da água viva e ela estava sedenta por ouvir mais. Sentiu que devia voltar apesar da proibição imposta por seu pai e foi assistir à reunião seguinte. A mensagem foi baseada em João 3:14-15, onde o Senhor menciona o levantamento da serpente de metal no deserto e a cura que recebiam as pessoas que, mordidas pelas serpentes verdadeiras, levantassem o olhar para a serpente de metal. Naquela mesma noite Amélia olhou, pela fé, para o Cristo do Calvário e foi salva por toda a eternidade.

Quando regressou ao lar deparou com a fúria de seu pai. Este, com muita ira, levou-a até à biblioteca, onde repreendeu-a severamente pelo que fizera e ordenou-lhe que ali comparecesse novamente às 9 horas do dia seguinte a fim de apanhar de chicote. Amélia, muito perturbada retirou-se para seu quarto sentindo-se muito triste por ter causado dissabor a seu pai, mas ao mesmo tempo gozava profunda alegria pela salvação de Deus que inundara a sua alma.

Pela manhã, pensando nos acontecimentos do dia anterior tudo quanto se passara naquela reunião e, sobretudo, a grandiosa mensagem que ouvira e que lhe trouxera paz, sentou-se e foi deixando extravasar sobre um pedaço de papel os sentimentos do seu coração. Assim que o relógio bateu 9 horas dirigiu-se à biblioteca levando consigo o referido pedaço de papel. Lá estava seu pai e, sobre a mesa, o chicote. Ela entrou, entregou ao pai o papel e ficou esperando. O capitão W. T. Hull ficou de pé e, enquanto lia a composição de Amélia, algo extraordinário aconteceu. Uma notável mudança. O pai de Amélia sentou-se e enfiou o rosto entre as mãos. Através da leitura daqueles versos Deus falou ao coração daquele homem fazendo-o sentir-se totalmente arrasado. Desapareceu de sua mente qualquer pensamento de bater em sua filha. Pelo contrário, naquela manhã, ali na biblioteca, o capitão Hull foi ao encontro do Salvador de Amélia.

Daquele dia em diante foi efetuada uma grande transformação, não só na vida do capitão Hull, como também na vida de Marpool Hall.

Este hino foi um dos melhores, entre 22 contribuídos ao hinário Pleasant Hymns for Boys and Girls (Aprazíveis Hinos para Meninos e Meninas), publicado em 1860. Entre 1850 e a sua morte em 1882, Amélia também contribuiu com hinos para seis outras coletâneas na Inglaterra.

A tradução deste hino foi feita pelo Pr. Antonio Ferreira de Campos (1866-1950), por alguns anos um dos obreiros mais ativos na região de Campos, RJ. Foi batizado por Salomão Ginsburg em junho de 1895. Dentro de um mês, a igreja Batista de Campos o licenciou para pregar, e a junta de Richmond o aceitou como um obreiro nacional. Ginsburg apreciava muito este novo obreiro, escrevendo assim:

“O Pr. A. Campos tomou conta deste campo (Campos) em 1895, e está fazendo um grande e bom trabalho. Ganhou a simpatia do povo, que, conhecendo seu grande talento para o jornalismo, o fez Redator-Chefe do jornal local. Podem imaginar o bom resultado de ter um jornal secular onde o evangelho não foi esquecido. Ele está fazendo um nobre e bom trabalho. É um esplendido pregador e bom organizador, como também um hábil escritor.”

Campos fundou a Associação Cristã de Moços da cidade. Esta organização chegou a ter 200 membros, dos quais dois terços eram católicos. O canto congregacional teve parte importante nas suas assembléias, “fato que estimulou hinistas como Ginsburg e Campos a produzir e dedicar hinos apropriados para o seu uso”. Certamente, Vida Tens Em Olhar, foi traduzido neste período.

A melodia LATAKIA, tão apropriada para este hino de convite, foi escrita para esta letra por E. G. Taylor (séc XIX). O hino apareceu em Sacred Songs and Solos (Cânticos e Solos Sacros) de Sankey, de onde, certamente, foi trazido ao Brasil. Não existem, porém, mais informações disponíveis sobre a melodia ou sobre seu compositor.

Bibliografia: Ginsburg, Salomão L., Foreign Mission Board Report, SBC Annual, 1900, p. 96.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 208

Graça Excelsa

Letra: John Newton (1725-1807)

Título Original: Amazing Grace

Música: Compositor Desconhecido

Texto Bíblico: para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. (Efésios 2:7)

Observação: A música deste hino é uma melodia tradicional Americana, publicada em 1831 na coletâneaVirginia Harmony, por James P. Carrell e David S. Clayton

Este comovente hino é, sem dúvida, a mais representativa expressão de John Newton, “um dos grandes pregadores evangélicos do século XVIII”. E um dos maiores exemplos da graça de Deus de todos os tempos. Newton baseou o hino em I Crônicas 17:16-17, onde o Rei Davi expressa sua convicção de não ser digno de construir a casa do Senhor, e clama: “Quem sou eu, ó Senhor Deus, e que é a minha casa, para que me tenha trazido até aqui?”.

Conhecendo a extraordinária história de Newton, é fácil entender porque ele aplicou estas palavras de Davi a si mesmo. O hino originalmente incluía seis estrofes e foi intitulado “A Revisão e Expectativa da Fé”. Newton escreveu-o em 1779 e o incluiu na sua inovadora coletânea Olney Hymns (Hinos de Olney).

Este hino pode ser considerado autobiográfico, descrevendo os milagres que a graça de Deus fez na vida de John Newton. A graça de Deus continuou a ser sua obra na vida dele. Chegou a ser um pastor cuja bondade era marcante e ter um ministério prolífico, a produzir hinários e escrever livros importantes (seus sermões seriam estudados pela posteridade). Teve uma vida feliz e produtiva até o dia que faleceu em 21 de dezembro de 1807. Foi enterrado no pátio da igreja na qual serviu por 27 anos, no coração de Londres. A pedra do seu tumulo declara, com palavras que ele mesmo ditou:.

John Newton, clérico,

Uma vez um infiel e libertino,

Foi pela rica misericórdia do nosso Senhor

E Salvador, Jesus Cristo, preservado,

Restaurado, perdoado, e chamado.

Para pregar a fé que ele procurara por muito tempo destruir,

Perto de 16 anos, em Olney, Bucknghamshire;

E 27 nos nesta igreja.

John Newton nasceu em Londres, em 24 de julho de 1725. Até sete anos, teve o carinho e ensino da sua piedosa mãe, membro duma igreja dos dissidentes. Diligentemente ela o ensinou. Aos quatro anos, John lia fluentemente. Aos seis, lia Virgílio em latim. Teve uma mente perspicaz e uma memória retentiva. Escrevia mais tarde:

Minha mãe armazenou minha memória (…) com muitas peças valiosas, capítulos e porções das escrituras, catecismos, hinos e poemas. Quando o Senhor, muito mais tarde, abriu os meus olhos, achei grande benefício em relembrá-los.

Mas, com a morte dela, John perdeu sua oportunidade de ser criado no evangelho. Passou dois anos numa escola onde seu tratamento era severo e sem amor. Aos onze, foi ao mar com seu pai, homem duro e seco. Nos anos vindouros, na sua rebeldia, foi de mal a pior, descendo cada vez mais na degradação. Mais tarde achou-se tripulante num “navio negreiro”, onde se juntou ao tratamento cruel dos infelizes escravos. Foi traído e deixado preso numa ilha, onde os seus maus tratos não o mataram pela bondade de escravos ao seu redor. Seu pai, chegando a saber da condição do seu filho por uma carta, secretamente enviada, conseguiu sua libertação.

Voltando para Inglaterra no navio Greyhound, na província de Deus, Newton havia achado e, no seu tédio, lido o livro A Imitação de Cristo, de Thomas A Kempis. De repente, a nau foi pega numa tempestade tremenda. Seu lado foi desmoronado e muitos tripulantes foram levados ao mar, sem mastro; todas as provisões perdidas, o navio, por 27 dias, flutuou a esmo. Todos a bordo, famintos e congelados, viveram entre a vida e a morte. Newton cria que sua morte estava eminente! Foi ali que ele viu a sua condição de pecador. “Voltou dramaticamente a Deus, repudiou sua vida de depravação, e chorou lágrimas de arrependimento.”

Pela graça de Deus, o navio não afundou. Newton, o mais blasfemo dos tripulantes, nunca mais usou o nome de Deus em Vão. Lia o Novo Testamento enquanto seus companheiros o miravam em espanto. Quando, milagrosamente, o Greyhound chegou em terra perto de Londonderry ao norte da Irlanda, no dia 8 de abril, o primeiro ato de Newton foi procurar uma igreja e lá orar.

A graça de Deus continuou a fazer sua obra na vida de Newton. Foi crescendo espiritualmente. Casou-se com Mary Catlett, uma excelente moça,  a quem havia amado  muito tempo. Voltou ao mar, capitão de outro navio negreiro. Nos seus navios mantinha cultos e procurou educar-se com um ambicioso programa de estudo de bons livros. Anos depois, ao crescer muito mais na fé, lamentou profundamente ter feito parte deste  nefando tráfico, descrito tão dramaticamente pelo famoso poeta brasileiro Castro Alves. Tornou-se “forte e eficaz guerreiro contra a escravatura”.

Em 1754, Newton deixou o mar. Estabelecendo-se em Liverpool, trabalhou no porto e começou a preparar-se para o ministério. À noite, depois do seu trabalho, estudou teologia, hebraico, grego e os clássicos. Lá recebeu muita influência de George Whitfield e João Wesley, e em 1758, começou a pregar. Ordenado pela igreja anglicana (com auxilio de Lord Dartmouth e a Condessa Huntington, dois evangélicos de prestigio), foi nomeado para a pequena paróquia de Onley, no Condado de Buckinghamshire, permanecendo ali por 15 anos. Ali começou em frutífero e influente ministério.Newton começou muitas inovações. Usava histórias no púlpito, especialmente a da sua conversão. Além dos cultos na sua igreja, conseguiu um auditório grande e lá ensinava as crianças, de tarde, e aos adultos à noite. Grandes multidões foram ouvir o “velho capitão” e foram alcançadas desta maneira. Outra inovação: em vez de cantar somente os salmos métricos nos cultos, como era aceitável nas igrejas anglicanas, começou a usar hinos e, querendo expressar a religião simples do coração que ele estava ensinando, começou a escrevê-los. Pediu o auxilio do seu grande amigo William Cowper. Queria ter um hinário que fosse “um livro de instrução na fé evangélica, para ser cantado, lido e decorado”. Assim, com a cooperação de Cowper, publicou a célebre coletânea Olney Hymns, em 1779, hinário ao estilo Wesley, para a qual contribuiu com 280 textos. Há um bom número dos seus melhores textos ainda em uso mundialmente, depois de dois séculos.

Newton nunca se esqueceu do seu passado. Colocou na parede do seu escritório uma placa com versículo: “Pois lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito, e de que o Senhor teu Deus te resgatou” (Deuteronômio 15:15). No púlpito, usava o uniforme de marinheiro – “com uma Bíblia numa mão e o hinário na outra” – isso numa igreja anglicana onde o pregador usaria beca. Achou importante relembrar a si mesmo e aos outros, o quanto a “preciosa graça de Jesus” havia feito por ele.

Depois de Olney, Newton foi escolhido para pastorear uma das maiores igrejas em Londres,onde permaneceu por 28 anos até sua morte em 1807, “justamente o ano que o bom William Wilberforce, cuja conversão Newton  encaminhou, conseguiu que o Parlamento aprovasse a lei que abolisse para sempre a escravidão em todos os domínios da Grã Bretanha.” Newton tornar-se o conselheiro espiritual de Wilberforce, e poucos meses antes da sua morte teve o prazer de parabenizar o estadista por seu sucesso, depois de um heróico esforço de 45 anos.

Alguns consideram que o maior dom espiritual deste servo de Deus era o de lidar com pessoas uma por uma. Os publicadores das suas cartas chamaram-no de “diretor de almas no movimento evangélico”. Foi descrito como “o escritor de cartas par excelence do reavivamento evangélico”. A Newton “foi dado um conhecimento do coração humano e de como o Senhor lidava com seu povo.” Todas as terríveis experiências da sua vida, sua conversão e chamada para o ministério, deram-lhe fama e “as pessoas vinham a ele para conselho e auxilio. (…) Viam nele alguém que podia entendê-los  e entrar nas suas experiências com ternura e simpatia.”

Muitos que não podiam vê-lo em pessoa procuraram sua ajuda por carta. Newton entendeu a importância deste ministério. Foi muito diligente em praticá-lo.Escreveu: “É a vontade do Senhor que meu ministério maior seja por minhas cartas.”

A melodia AMAZING GRACE (Admirável Graça) é de origem desconhecida. Por muito tempo acreditava-se que seu primeiro aparecimento fora em 1831, na coletânea Virginia Harmony (Harmonia da Virginia), mas de acordo com um artigo no célebre periódico The Hymn (O Hino), a melodia apareceu na coletânea Columbian Harmonyem 1829. O arranjo usado no usado no H.A é de Edwin Othello Excell. Publicou-o no seu hinário Make His Praise Glorious (Faça o Seu Louvor Glorioso), em 1900.

Edwin Othello Excell (1851-1921) nasceu no condado de Sark, Estado de Ohio, EUA, filho de pastor da igreja Reformada Alemã. Trabalhou como pedreiro, quando jovem. Teve muitos dotes musicais, e foi muito procurado como professor em escolas de canto. Foi ao reger a música para uma conferência evangelística numa igreja metodista episcopal, que Excell reconheceu sua própria necessidade de ser salvo, e foi convertido. Daí interessou-se pela música sacra.

De 1877 a 1883, estudou com os músicos e publicadores George F. e Frederick Root (para quem Fanny Crosby forneceria tantos libretos). Começou a publicar coletâneas de gospel hymns com muito sucesso. Foi muito ativo no movimento nacional de Evangelismo, regendo nas convenções. Ajudou a iniciar a publicação dasInternational Sunday School Lessons, lições publicadas ao redor do país. Foi líder da música de campanhas de evangelistas de renome. Aliás, foi durante uma campanha evangelística com o célebre Gipsy Smith que Excell faleceu em Louisville, Estado de Kentucky.

Excell compilou mais de 90 coletâneas. Auxiliou em mais 38 compilações de outros, inclusive as de Robert Coleman, que tanto contribuiu na hinodia dos Batistas do Sul (EUA). Compôs mais de 2.000 melodias. Sua cativante melodia para Conta as Bênçãos é uma das prediletas dos crentes brasileiros.

Bibliografia: Osbeck, Kenneth W. 101 Hymn Stories, Grand Rapids, MI, Kregel Publications, 1982.p.28.

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Viajando pela Inglaterra, em direção às cidades de Oxford e Cambridge, passa-se por uma aldeia de nome Olney. Na pracinha desta aldeia encontra-se uma casa, agora transformada em museu, onde se encontram os pertences de um famoso poeta inglês chamado John Newton (1725 – 1807). Foi ali que ele nasceu e viveu grande parte de sua vida. Num canto no pequeno cemitério da aldeia, existe uma lápide, quase coberta de mato, com a seguinte inscrição: “John Newton, servo de Deus, outrora um infiel e libertino, um servo de escravos na África; foi pela rica misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, preservado, restaurado, perdoado e escolhido para anunciar a fé que por longo tempo procurou destruir”.

Newton era filho de um capitão de navio que trabalhava no mar mediterrâneo. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas onze anos de idade. Sua infância, no entanto, foi marcada pela imoralidade, leviandade e pecado. Foi rejeitado pelo próprio pai devido a problemas com seus empregados. Newton foi, então, preso e deportado (algumas bibliografias citam que foi de Egito). Por alguns anos, ele serviu em navios de escravos, onde foi humilhado pela mulher de um mercador de escravos, passando a ser “escravo dos escravos”.

Assim, em estado miserável, este homem do mar caiu em si ao ler o livro de Thomas A. Kempis “Imitação de Cristo”. Mas a sua real conversão deu-se durante uma terrível tempestade, quando quase perdeu a vida.

Com a idade de trinta e nove anos, John Newton veio a ser um fiel ministro de Deus. Foi pastor numa igreja em Olney quase quinze anos e nesse período escreveu inúmeros hinos. Dentre os muitos hinos que escreveu está “Graça Excelsa” (outra tradução chama de “Maravilhosa Graça”) que parece ser um testemunho da sua conversão e da sua vida cristã.

A graça de Deus tem sido definida como o Seu favor imerecido. Foi esta graça que alcançou John Newton. Ele ficou maravilhado quando aprendeu que Cristo amou-o e morreu em seu lugar. Foi esta graça que o fez consciente de que era um pecador, “que a mim, perdido e cego, achou…” e que assegurou-o de que seus pecados todos foram perdoados. E assim é com todos nós. Somos grandes pecadores não só pelas transgressões feitas, mas também porque não cumprimos os padrões de Deus em nossas vidas. E esta Maravilhosa Graça, nos supre de tudo. Como crentes em Cristo continuamos a experimentar cada dia este favor imerecido através de nossas vidas. Cada dia Ele nos perdoa as falhas se nós Lhe confessamos. Cada dia Ele supre as nossas necessidades.

John Newton nunca mais cessou de se admirar da misericórdia e da graça de Deus para com ele. Sobre o armário de sua paróquia ele colocou os seguintes versículos bíblicos, que ali permanecem até hoje: “Enquanto foste precioso aos meus olhos, também foste glorificado” (Isaias 43:41) e “Lembrar-te-ás de que foste servo na terra de Egito, e de que o Senhor teu Deus te resgatou” (Deuteronômio 15:15).

Newton nunca esqueceu o mar. No final de sua carreira, como pastor na igreja, certa vez subiu ao púlpito com o uniforme de marinheiro, segurando a Bíblia numa de suas mãos e o hinário na outra. Sua memória já não funcionava tão bem e, às vezes, esquecia o que estava pregando. Alguém lhe sugeriu que se aposentasse, ao que ele logo respondeu: “O que? Pode um velho blasfemador africano parar enquanto pode falar?”.

Em outra ocasião, disse: “Minha memória está quase nula, mas lembro-me bem de duas coisas: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é um grande Salvador”.

A música utilizada é “Amazing Grace” antiga melodia norte-americana, mas também este hino é cantado com a música “New Britain” publicada no Virginia Harmony de autoria dos Srs. James B. Carrell e David S. Clayton.

Na bibliografia existente, também se reconhece ao Sr. Haldor Lillienas como autor da letra e música do hino “Wonderful Grace of Jesus“. Este é o nosso hino nr. 204 – Maravilhosa Graça. Apesar de possuir uma mensagem semelhante a “Amazing Grace”, o hino do Sr. Lillienas é vigoroso e jubilante, enquanto que o hino de John Newton é intimista e meditativo.

Fonte: http://www.uniaonet.com/osemeador01.htm

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 221

Mui Triste Eu Andava

Letra: James Rowe (1865-1933)

Título Original: I Walk With the King

Música: Bentley DeForrest Ackley (1872-1958)

Texto Bíblico: Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças. (Colossenses 2:6 e 7)

 

Este é um hino de abundante alegria. Seu autor, James Rowe, descreve a tristeza e o sofrimento que havia em sua vida antes de conhecer a Jesus, e o abismo fatal em que o mundo o atirara. Mas o tema mesmo do hino é a “sua alegria veraz”, sua razão de “constantemente bendizer a seu Deus”. Toda a pessoa que é de Jesus pode cantar este hino. Ter Cristo como Salvador e Senhor da vida é causa de verdadeira alegria, dá indestrutível contentamento e cria um desejo de “andar e viver” com Ele, de “não falhar” e de “falar sempre” dEle.

O evangelista-cantor Homer Rodeheaver publicou este hino do feliz testemunho de James Rowe em uma das suas coletâneas em 1913. Deve ter cantado o hino muitas vezes como solo nas conferências em que ele foi diretor de música.

James Rowe nasceu em 1 de janeiro de 1865 em Devon, Inglaterra. Emigrou para os Estados Unidos aos 25 anos. Casou-se com Blanche Clipper e se estabeleceu em Albany, Estado de Nova Iorque. Depois de trabalhar como ferroviário, tornou-se superintendente da Sociedade de Prevenção de Crueldade aos Animais.

Rowe era crente dedicado, sempre gostava de escrever textos para hinos. Deixou seu emprego para dedicar-se totalmente à criação de hinos e à edição de publicações musicais sacras. Como editor, cooperou sucessivamente com o Trio Music Company (Waco, Texas), A.J. Showalter Music Co. De Tennessee e James D. Vaughan Music Company, do mesmo Estado. Mais tarde, mudou-se para Wells, no Estado de Vermont, onde trabalhou como poeta com sua filha, Louise Rowe Mayhew, uma artista, na produção de cartões de felicitações. Faleceu em 10 de novembro de 1933.

Rowe aparentemente escreveu textos para mais de 19000 hinos! Aproximadamente 10 destes apareceram nos hinários evangélicos no Brasil.

Este hino é altamente cantável porque Bentley DeForest Ackley, secretário-pianista dos evangelistas Sunday-Rodeheaver por 8 anos, compôs uma melodia perfeita para sua mensagem. Ackley, compositor de mais de 3.000 melodias, tornou-se editor da The Rodeheaver Company que foi, por muitos anos, uma das maiores publicadoras evangélicas dos Estados Unidos.

Fonte: Sankey, Ira D., My Life and Story of the Gospel Hymns, Philadelphia, PA, P.W. Zieger Co.,1906, p. 279

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 230

Sou Feliz com Jesus

Letra: Horatio Gates Spafford (1829-1888)

Título Original: It Is Well With My Soul

Música: Philip Paul Bliss (1838-1876)

Texto Bíblico: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. (João 14:27)

 

Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns(Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos):

Quando Moody e eu realizávamos reuniões em Edinburgo, em 1874, ouvimos as tristes notícias do naufrágio do vapor francês “Ville de Havre”, em seu retorno da América, com grande número de membros do Concílio Ecumênico que havia sido realizado em Filadélfia. A bordo do vapor estava a Srª Spafford, com seus quatro filhos. A colisão fora em alto mar com um grande navio, fazendo com que o vapor afundasse em meia hora. Quase todos a bordo morreram. A Srª Spafford tirou seus filhos dos beliches e os levou para o convés. Tendo sido avisada de que o vapor em breve afundaria, ela ajoelhou-se com seus filhos em oração, pedindo a Deus que fossem salvos se possível, ou que se conformassem em morrer, se essa fosse a Sua vontade. Em poucos minutos o vapor imergiu para as profundezas do mar, e as crianças se perderam. Um dos marinheiros, chamado Lockurn, – com quem me encontrei mais tarde na Escócia – ao remar sobre o local onde desaparecera o vapor, descobriu a Srª Spafford flutuando. Dez dias mais tarde ela desembarcou em Cardiff, Wales. De lá telegrafou ao marido, advogado em Chicago, a mensagem: “Salva sozinha”. O Sr. Spafford, que era cristão, mandou emoldurar a mensagem, e pendurá-la em seu escritório. Embarcou imediatamente para a Inglaterra a fim de trazer a esposa de volta a Chicago. Moody abandonou suas reuniões em Edinburg e dirigiu-se a Liverpool para tentar confortar os pais, e ficou muito alegre ao ver que eles estavam dispostos a dizer: “Está bem, seja feita a vontade de Deus”.

Em 1876, quando voltamos a Chicago para trabalhar, passei algumas semanas no lar dos Spaffords. Neste tempo o Sr. Spafford escreveu o cântico: “Sou Feliz Com Jesus”, em memória de seus filhos. P. P. Bliss compôs a música a apresentou o cântico pela primeira vez em “Farwell Hall“. O fato confortador em relação a este incidente foi que pouco antes da viagem para a Europa, as crianças se haviam convertido em uma de nossas pequenas reuniões no Norte de Chicago.

Enquanto ainda viviam aí, o casal Spafford tornou-se muito impressionado com a Segunda volta de Cristo. O Sr. Spafford foi tão zeloso que decidiu ir a Jerusalém com a esposa e a filha que lhes restava, e lá aguardar a volta de Jesus, mas morreu pouco depois. A Srª Spafford é diretora de uma Sociedade cuja a sede esta num edifício fora de Jerusalém, onde um grande número de pessoas vive, tendo tudo em comum. Quando visitei Jerusalém, há alguns anos, encontrei-a na “Rua de Davi”. No dia seguinte recebi a visita da Srª Spaffordd, que é muito popular entre os nativos e professora de um grande número de crianças, instruindo-as em literatura inglesa e costumes americanos.

Sankey relata ainda o seguinte: “Este cântico foi ouvido por um cavalheiro que havia sofrido grande perda financeira no terror de 1899, e que estava no mais profundo desânimo. Quando ouviu a estória do cântico, exclamou: ‘Se Spafford pode escrever um tão belo cântico de resignação, eu jamais me lamentarei outra vez’.”

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

________________________________________

Em Novembro de 1873, o “Ville de Havre” zarpou da cidade de Nove Iorque para a Europa. Entre os passageiros encontrava-se, a bordo, a Sra. Spafford, esposa de um advogado em Chicago, com seus quatro filhos.

A viagem estava quase no fim, estando já à vista as costas da Inglaterra, quando ocorreu uma terrível catástrofe. No escuridão da noite um barco colidiu com o “Ville de Harve” e este começou logo a afundar.

A Sra. Spafford ajuntou os seus filhos ao seu redor e encomendou-os a Deus. À medida que a água subia, mais e mais, dentro do navio, um dos filhos procurou confortar sua mãe em prantos, lembrando-lhe de que era tão fácil ser chamado à presença de Cristo, tanto do mar, como se da casa, na América!

Um a um, os seus queridos filhos foram arrancados dos seus braços. perecendo diante dos seus olhos. Ela, porém, foi milagrosamente poupada e salva, algumas horas mais tarde, por outro navio.

Supondo que a notícia do desastre seria logo divulgada pelo mundo, a Sra. Spafford assim que atingiu o porto, enviou um telegrama ao seu marido. Este havia recebido a notícia do naufrágio do navio e da perda de seus passageiros, mas ainda não sabia da perda dos seus entes queridos.

Com o coração pulsando fortemente e com mãos vacilantes ele abriu o envelope. A mensagem era curta, consistindo em apenas duas palavras. Seus olhos foram diretos à palavra “salva”, dando ao seu coração uma repentina sensação de alegria. Relendo, porém, o telegrama, notou a segunda palavra: “só”, causando-lhe uma terrível mudança de sentimentos. Num determinado momento foi cheio de um gozo inefável; e no momento seguinte, inundado de indescritível tristeza!

Contudo, ele pôde agradecer a Deus por ter salvo a sua amada esposa, ainda que lamentasse a perda dos filhos queridos.

Dois anos mais tarde o mesmo Sr. Spafford perdeu grande parte dos seus bens num incêndio que houve em Chicago, mas a sua fé cristã sempre firme permitiu que ele superasse a todas aquelas perdas.

A despeito de tudo o que lhe aconteceu, foi capaz de sentar-se e escrever o lindo hino que focalizamos e que se tornou tão conhecido em todo o mundo evangélico. Ë o Nº.312, em ” Hinos e Cânticos”. A sua letra em português é de autoria do Sr. S.E. McNair; a música é do Sr. Philip P. Bliss.

Há muitas famílias nas quais existem pessoas salvas e pessoas perdidas. Aquelas que estão preparadas e aquelas que não estão preparadas para se encontrarem com um Deus santo e que odeia o pecado!

Nalgumas delas é possível que o marido seja salvo e a esposa não; uma irmã salva e um irmão, perdido; e assim por diante. Que coisa terrível será, na eternidade, se sua mãe, ou seu pai, ou irmã ou irmão, ou esposa ou esposo, for salvo e você – PERDIDO!

E se falamos em ser salvo, devemos pensar num meio de salvação; e quando Deus nos fala da Sua grande salvação, Ele nos fala, também, a respeito do nosso grande Salvador, o Senhor Jesus. Ele nos fala, ainda, como podemos estar certos dessa salvação: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10.9).

Você quer ter, também, esta certeza?

Fonte: Publicado originalmente em: http://www.refrigerio.net/hinos12.html

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 231

Tenho um Hino em Meu Coração

Letra e Música: Luther Burgess Bridgers (1884-1948)

Título Original: He Keeps Me Singing

Texto Bíblico: Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor. Também me tirou duma cova de destruição, dum charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor. (Salmo 40:1-3)

 

Quando cantamos as lindas palavras do hino de Luther Bridges, “Tenho Um Hino em Meu Coração”, nunca poderíamos sonhar com a dor e a tragédia que sobrevieram ao seu autor pouco antes dele escrever este belo hino.

Luther Bridges nasceu perto de Margretville, Carolina do Norte, EUA, em 14 de Fevereiro de 1884. Os seus pais se mudaram para a Geórgia e, quando tinha dezesseis anos, Luther freqüentou o colégio Asbury em Wilmore, Kentucky. Ele começou a pregar com dezessete anos e foi ordenado como Ministro Metodista. Ali ele encontrou a amável Sarah Vetch e se apaixonou por ela. Nenhum dos dois tinha completado vinte anos quando se casaram. Tiverem três filhos, Luther foi um bem-sucedido evangelista com a idade de dezoito anos e continuou no que ele chamava de “a obra de salvar almas” até pouco antes de sua morte.

Foi em 1910, cerca de sete anos depois de seu casamento que ele aceitou um convite para fazer duas semanas de reavivamento em uma igreja perto da casa dos pais de sua esposa, no Kentucky. Deixando sua esposa e os três meninos pequenos na casa dos pais dela, partiu para a cidade próxima para realizar os cultos. Havia um grande reavivamento e muitas pessoas estavam professando a Cristo como seu Salvador. Perto do final dos cultos de reavivamento, Luther recebeu uma chamada interurbana à noite. Quem poderia estar ligando a esta hora e o que poderia ter acontecido de errado? Foi difícil para Luther, de vinte e seis anos, receber todo o impacto desta ligação. A casa dos pais de sua esposa havia se incendiado completamente. Sua esposa, Sarah e seus três filhos, todos haviam morrido no incêndio. Ele ficou desolado por causa da perda de sua esposa e dos filhos e perguntou-se “Como isto pôde acontecer enquanto eu estava fazendo a vontade de Deus?”

Por algum tempo ele ficou perplexo e inativo. Mais uma vez, o Senhor começou a lhe falar sobre o evangelismo. Ele começou a preparar-se em oração e estudo, e parou de perguntar a Deus “Por que?” O Senhor lhe falou através de Sua palavra, “A minha porção é o Senhor, diz a minha alma” (Lamentações 3:24); “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (Salmos 91:1). Luther pensou consigo, “O esconderijo, a sombra e a presença do Todo-Poderoso”, ele poderia confiar nEle. O Deus de toda terra nunca falharia nem o abandonaria.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 231

Tenho um Hino em Meu Coração

Letra e Música: Luther Burgess Bridgers (1884-1948)

Título Original: He Keeps Me Singing

Texto Bíblico: Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor. Também me tirou duma cova de destruição, dum charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor. (Salmo 40:1-3)

 

Quando cantamos as lindas palavras do hino de Luther Bridges, “Tenho Um Hino em Meu Coração”, nunca poderíamos sonhar com a dor e a tragédia que sobrevieram ao seu autor pouco antes dele escrever este belo hino.

Luther Bridges nasceu perto de Margretville, Carolina do Norte, EUA, em 14 de Fevereiro de 1884. Os seus pais se mudaram para a Geórgia e, quando tinha dezesseis anos, Luther freqüentou o colégio Asbury em Wilmore, Kentucky. Ele começou a pregar com dezessete anos e foi ordenado como Ministro Metodista. Ali ele encontrou a amável Sarah Vetch e se apaixonou por ela. Nenhum dos dois tinha completado vinte anos quando se casaram. Tiverem três filhos, Luther foi um bem-sucedido evangelista com a idade de dezoito anos e continuou no que ele chamava de “a obra de salvar almas” até pouco antes de sua morte.

Foi em 1910, cerca de sete anos depois de seu casamento que ele aceitou um convite para fazer duas semanas de reavivamento em uma igreja perto da casa dos pais de sua esposa, no Kentucky. Deixando sua esposa e os três meninos pequenos na casa dos pais dela, partiu para a cidade próxima para realizar os cultos. Havia um grande reavivamento e muitas pessoas estavam professando a Cristo como seu Salvador. Perto do final dos cultos de reavivamento, Luther recebeu uma chamada interurbana à noite. Quem poderia estar ligando a esta hora e o que poderia ter acontecido de errado? Foi difícil para Luther, de vinte e seis anos, receber todo o impacto desta ligação. A casa dos pais de sua esposa havia se incendiado completamente. Sua esposa, Sarah e seus três filhos, todos haviam morrido no incêndio. Ele ficou desolado por causa da perda de sua esposa e dos filhos e perguntou-se “Como isto pôde acontecer enquanto eu estava fazendo a vontade de Deus?”

Por algum tempo ele ficou perplexo e inativo. Mais uma vez, o Senhor começou a lhe falar sobre o evangelismo. Ele começou a preparar-se em oração e estudo, e parou de perguntar a Deus “Por que?” O Senhor lhe falou através de Sua palavra, “A minha porção é o Senhor, diz a minha alma” (Lamentações 3:24); “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (Salmos 91:1). Luther pensou consigo, “O esconderijo, a sombra e a presença do Todo-Poderoso”, ele poderia confiar nEle. O Deus de toda terra nunca falharia nem o abandonaria.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 233

Com Cristo no Meu Coração

Letra: Rufus Henry McDaniel (1850-1940)

Título Original: Since Jesus Came Into My Heart

Música: Charles Hutchinson Gabriel (1856-1932)

Texto Bíblico: estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. (Efésios 2:12 e 13)

 

Grande é o mistério da transformação na vida da pessoa que, reconhecendo o seu estado de pecador e a eficácia do sacrifício de Cristo na cruz para a sua salvação, O aceita como seu Salvador pessoal. Com grande júbilo, pode cantar:

“Que mudança gloriosa em mim se operou,

Com Cristo no meu coração!”

O homem natural não compreende esta alegria, mas pode observar esta transformação na vida do salvo e vir a experimentá-la por si mesmo. Que nossas vidas transformadas sejam verdadeiros hinos alegres e triunfantes, para que Cristo, por nosso testemunho, chame muitos outros que precisam dele!

O autor Rufus Henry McDaniel escreveu estas palavras, em 1914, como uma expressão de fé depois da morte prematura do seu filho, Herschel. O compositor Charles Hutchison Gabriel compôs a melodia para o texto de McDaniel no mesmo ano. Apareceu, pela primeira vez num panfleto apresentado em Filadélfia, na campanha do dinâmico evangelista Billy Sanday, por Gabriel e Homer Rodeheaver, em 1915. Rodeheaver comprou o manuscrito e publicou-o na sua coletânea Songs for Service N° 3 (Cânticos para o Culto, N° 3) também em 1915.

Rufus Henry McDaniel nasceu perto de Ripley no condado de Brown, estado de Ohio, em 20 de janeiro de 1850. Viveu toda a sua vida no seu estado natal. Estudou na Academia Parker, no condado de Claremont. McDaniel teve uma longa folha de serviço ao Senhor. Licenciado para pregar aos dezenove anos, mais tarde foi ordenado para o ministério na Igreja Cristã (Discípulos de Cristo). Serviu, ao longo dos anos, em diversas igrejas na conferência da Igreja Cristã do Sul do Estado. Depois de pastorear em Cincinatti por um tempo, aposentou-se em Dayton, aonde veio a falecer em 13 de fevereiro de 1940.

MacDaniel escreve cerca de 100 textos para hinos, muitos dos quais o evangelista-publicador Rodeheaver publicou na sua coletânea. Este humilde servo de Deus, que nunca saiu do seu estado natal, continua o seu ministério ao redor do mundo com este hino.

O prolífico e dotado compositor Charles Hutchison Gabriel (1856-1932), publicou muitos hinos (letra e música) e melodias nas coletâneas de Rodeheaver e de outras publicadoras.

Bibliografia: Suplemento de Hinos e Cânticos com Música, São Paulo, Associação Cristã Editora, 1983, p.99.

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 237

Junto ao Bondoso Deus

Letra e Música: Cleland Boyd McAfee (1866-1944)

Título Original: Near to the Heart of God

Texto Bíblico: Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua benignidade para com os que o temem. Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. (Salmo 103:11-13)

 

Era costume do Rev. Cleland Boyd McAfee, então pastor e regente coral da igreja da Faculdade Park (presbiteriana), estado de Missouri, EUA, escrever um novo responso coral para cada celebração da Ceia do Senhor, para reforçar sua mensagem. Sua filha conta à história do surgimento deste hino em cerca de 1901:

“Numa semana terrível, logo antes do domingo da Ceia, as duas filhinhas do tio Howard e tia Lucy McAfee morreram de difteria num espaço de 24 horas. A família, toda a Faculdade e a cidade estavam dominadas pela dor. Meu pai nos contou como ficou longas horas pensando e orando sobre o que poderia ser dito e cantado naquele domingo. (…) Então escreveu este hino. O coro aprendeu-o no seu ensaio regular de sábado à noite e, então foi à casa dos meus tios e cantaram-no enquanto ficavam sob o céu fora da casa escura em quarentena. Foi cantado de novo no culto da Ceia, domingo de manhã.”

O pensamento essencial deste hino, nascido na dor, é que é “em comunhão com Deus!” Que há segurança e descanso, conforto e bênçãos, poder e forças disponíveis, justamente em tempo de provação e tristeza. É naquele lugar bem perto do coração de Deus que o crente deve estar.

O refrão é uma oração a Cristo, o Redentor que foi mandado do Pai. Refere-se á necessidade de “permanecer” diante de Deus no lugar de descanso,”em comunhão com Deus”. O verdadeiro cultuador, que procura a Deus em adoração e comunhão achará inevitável a verdade do Salmo 16:11- “Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente”.

McAfee mandou este hino para a publicadora Lorenz em Daylotn, estado de Ohio. Apareceu pela primeira vez na coletânea The Choir Leader (O Regente Coral) em 1903. Dali passou para hinários congregacionais. A comissão coordenadora do Baptist Hymnal de 1956 deu o nome MCAFEE à melodia.

Este hino é uma excelente chamada á oração, especialmente em período de intercessão. Uma vez bem conhecido, realçará a mensagem do hino se for cantado a cappella, usando as quatro vozes.Para ensinar o hino à congregação, um quarteto poderia cantá-lo do mesmo modo.

Cleland Boyd McAfee(1866-1944) nasceu em Ashley, estado de Missouri, EUA. Formou-se pela Faculdade Park, em Parkville, e fez teologia no seminário Teológico Union, em Nova Iorque. Voltando para a faculdade Park, além de ensinar, serviu como pastor da igreja da faculdade, foi para a primeira igreja Presbiteriana de Chicago, estado de Illinois, e a igreja presbiteriana da Avenida Lafayette, em Nova Iorque.

Reconhecido como teólogo proeminente, orador brilhante autor de diversos livros e ensaios de teologia sistemática do seminário Teológico McCormick. De 1930 a 1936, foi secretário da junta presbiteriana de missões Mundiais. Aposentou-se, mudou-se para Jaffey, estado de New Hampshire. Entretanto, continuou ativo como preletor, pregador, professor e escritor.

Bibliografia: Parker, Katherine McAfee, Near To the Heart of God, |n: Reynolds,William J., Companion Hymnal, TN, Broadman Press, 1976, p. 220-221.

 

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 240

Bendita Segurança

Letra: Fanny Jane Crosby (1820-1915)

Título Original: Blessed Assurance, Jesus Is Mine!

Música: Phoebe Palmer Knapp (1839-1908)

Texto Bíblico: Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. (Romanos 5:1 e 2)

 

Fanny Jane Crosby nasceu em South East Putnam County, Nova York, a 24 de março de 1820. Ficou tragicamente cega em sua infância quando um médico de aldeia, ignorante, aplicou cataplasmas quentes em seus olhos inflamados.

A despeito do seu defeito físico, crê-se que a Srª Crosby, que mais tarde se casou com Alexander van Alstyne, (também cego), professor como ela, na Escola para Cegos de Nova York, tenha escrito uns 5.959 cânticos para duas firmas de publicações, e mais milhares de cânticos adicionais para produtores de livros de cânticos evangélicos, entre eles, homens bem conhecidos como Ira D. Sankey e W. H. Doane. Ela foi encarregada por uma casa publicadora de escrever três cânticos por semana durante um período indefinido e cumpriu esta comissão admiravelmente.

Conta-se que Fanny Crosby, orava muito e que não fazia nada, nem escrevia, sem primeiro ajoelhar-se e pedir a direção de Deus. Tinha ela uma amiga, filha de um famoso evangelista, que a visitava muito. Chamava-sePhoebe Palmer Knapp.

As palavras do cântico “Bendita Segurança” foram escritas como resultado de uma visita que a Srª Knapp fez a Fanny Crosby. A Srª Knapp escreveu a melodia, levou-a a sua amiga e após executá-la perguntou: – “Fanny, o que esta melodia diz a você?”

Fanny pensou por alguns momentos e então respondeu: -”Que Segurança, sou de Jesus.” Assim foram escritas as palavras e a música deste grande cântico de segurança, que é amado por milhares de cristãos em todo o mundo. A Srª Knapp foi bem conhecida como escritora de versos e música durante sua vida. Casou-se com o fundador da Cia. Metropolitana de Seguros de Vida e recebeu um salário anual de 50.00 dólares após a morte do marido. Grande parte de sua riqueza foi devotada à obra de caridade, antes de morrer em 1908, em Poland Spring, Maine.

Fanny Crosby foi amiga íntima de Grover Claveland que trabalhava como secretário da Escola para Cegos de Nova York, enquanto lá esteve como professora. Foi membro vitalício da Igreja Metodista Episcopal e morreu em Bridgeport, Connecticut, a 12 de fevereiro de 1915. Este seu cântico é provavelmente o mais lembrado dos muitos que ele escreveu.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 244

Conta as Bênçãos

Letra: Johnson Oatman, Jr. (1856-1926)

Título Original: Count Your Blessings

Música: Edwin Othello Excell (1851-1921)

Texto Bíblico: Muitas são, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e os teus pensamentos para conosco; ninguém há que se possa comparar a ti; eu quisera anunciá-los, e manifestá-los, mas são mais do que se podem contar. (Salmo 40:5)

 

“Para o crente, a gratidão deve ser uma atitude da vida”.O salmista Davi sabia como louvar e agradecer ao Senhor. Em circunstancias muita vezes intoleráveis, não se desesperou, mas “fez a escolha de levantar a sua voz em canto, celebrando o incomparável amor e a fidelidade de Deus”. É bom que cada crente tome tempo para redescobrir as verdades profundas expressas pelo hinista Johnson Oatman nas quatro estrofe deste hino.

Nas primeiras duas estrofes ele desenvolve o pensamento que o contar das bênçãos serve como antídoto para os desânimos da vida, e também estimula o viver cristão vitorioso. A terceira estrofe nos ensina que o contar das bênçãos pode ser o meio de colocarmos os bens materiais em devida perspectiva quando comparados com a herança eterna que espera todo o crente nas regiões celestiais. Então,enquanto revemos as nossas bênçãos individuais, certamente temos de concordar com a quarta estrofe: a provisão do auxílio e conforto de Deus durante toda a nossa vida é uma das nossas mais ricas bênçãos.

Este hino talvez seja o mais cantado hino escrito por Johnson Oatman, Jr. Difundiu-se por todo o globo. Apareceu pela primeira vez na coletânea Songs for Young People (Cânticos para Jovens), compilado e publicado pelo compositor da melodia, Edwin Othello Excell, em 1897, Um escritor disse deste hino: “Como raio do sol , alumiou os lugares escuros da terra”.

Fazendo uma reportagem sobre uma das campanhas do evangelista Gipsy Smith,o muito lido jornal The London Daily (O Diário de Londres) noticiou que este extraordinário pregador, ao anunciar o hino, disse: “No sul de Londres os homens o cantam, os rapazes o assobiam, e as mães põem os seus bebes a dormir com este hino”.

Apropriadamente, o nome BLESSINGS (Bênçãos), palavra chave do hino, foi escolhido para a melodia pela comissão do Baptist Hymmnal (Hinário Batista) de 1956.

Johnson Oatman, Júnior (1856-1922) nasceu em Medforf, Estado de Nova Jersey. Como menino, gostava de se sentar ao lado do seu pai, Johnson Oatman, Sênior, na sua igreja, porque seu pai tinha uma bela e possante voz. Era conhecido como o melhor cantor do Estado! O filho ficava em pé em cima do banco, olhando o hinário junto com o pai. Certamente Johnson Junior herdou dele o amor à música e talvez, foi pensando nele que este menino mais tarde escreveria aproximadamente 200 gospel songs por ano, por 25 anos consecutivos, num total de mas de 5.000 textos durante sua vida, número somente superado por Fanny Crosby, e Charles Wesley.

Johnson Junior estudou na Academia Herbert em Vincentown e no Instituto Colegial Nova Jersey, em Bordentown, ambas no seu Estado natal. Aos 19 anos, uniu-se à Igreja Metodista Episcopal e, sentindo-se chamado para o ministério, foi licenciado para pregar. Continuou, entretanto, como pregador local, enquanto trabalhava com seu pai no ramo mercantil e depois numa firma própria de seguros. Porém, mais tarde, Otman Júnior descobriu sua chamada real: escrever hinos. Foi sua grande contribuição à fé. Seus textos foram sempre procurados pelos compositores e publicadores mais conhecidos da sua época, como John J. Sweney, William Kirpatrick,Charles Gabriel, o próprio Excell, e outros.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 249

Como Agradecer

Letra e Música: Andraé Crouch (1945- )

Título Original: My Tribute

Texto Bíblico: Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. (Salmo 116:12 e 13)

 

Andraé Edward Crouch nasceu em Los Angeles, estado de Califórnia, EUA, em 1 de julho de 1945. Seu pai, o pastor afro-americano Benjamin Crouch, pregava pelas ruas da cidade para qualquer pessoa ou grupo que quisesse ouvir. Ainda menino na igreja em que seu pai era pastor, Andraé começou sua vida musical, acompanhando a congregação. Durante seus estudos de segundo grau, organizou o conjunto COGIS. Começou a escrever músicas para esse grupo apresentar. Formou-se pela Faculdade Valley Junior, num curso de dois anos. Depois, formou o conjunto Disciples com quem ficaria por todos esses anos. Viaja pelo mundo inteiro. Pela variedade dos seus estilos, e a força da sua música, atrai tanto os crentes como os não crentes.

Andraé escreveu o cântico Como Agradecer em 1971. Apareceu pela primeira vez no hinário, em Hymns for the Family of God, em 1976. O nome da melodia MY TRIBUTE provém do título do hino, no original.Às vezes é usado o título tirado das primeiras palavras do estribilho: “To God be the Glory” (A Deus Seja a Glória).

Bibliografia: Anderson, Robert & Gail North, Gospel Music Encyclopedia, New York, Sterling Publishing Co, Inc., 1979. p. 52

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 287

Minha Entrega

Letra: Adelaide Addison Pollard(1862-1934)

Título Original: Have Thine Own Way, Lord

Música: George Coles Stebbins(1846-1945)

Texto Bíblico: Posso todas as coisas naquele que me fortalece. (Filipenses 4:13)

 

“Realmente não é importante o que fizeres conosco, Senhor – simplesmente faz a Tua vontade nas nossas vidas.” Esta simples oração de entrega total de uma senhora idosa num culto de oração gravou-se no coração de Adelaide Addison Pollard. Adelaide tinha ido ao culto, naquela noite de 1902, muito desanimada, por causa de sérias dificuldades que estava enfrentando. Porém a oração daquela senhora, que não incluía petições por bênçãos, mas simplesmente pedia que Deus fizesse Sua vontade nas vidas de todos os presentes, mudou todos os seus pensamentos. Ao chegar em casa, meditou no trecho, de Jeremias 18:3-4:

“Desci, pois, à casa do oleiro, e eis que ele estava ocupado com sua obra sobre as rodas.Como o vaso, que ele fazia de barro, se estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos fazer.”

Antes de deitar-se àquela noite, Adelaide completou as quatro estrofes do hino Cristo, Bom Mestre, Eis meu Querer. (Minha Entrega). Baseando a estrofe 1 em Jeremias 18:1-6, ela incluiu, no original, a frase: “Tu és o oleiro, eu sou o barro”. As estrofes seguintes relembram Salmo 51:7, Mateus 28:18, e Gálatas 2:20, respectivamente.

Adelaide Addison Pollard nasceu Sarah Addison Pollard, em 27 de novembro de 1862, em Bloomfield, Estado de Iowa, EUA. Mais tarde adotou o nome de Adelaide. Formando-se em oratória e cultura física na Escola de Oratória de Boston, estado de Massachusetts, mudou-se para Chicago e ensinou em algumas escolas femininas . Embora fosse de um lar fortemente presbiteriano, na sua busca de saúde (era diabética) e bem estar espiritual, Adelaide tomou parte em alguns movimentos considerados extremistas.

Adelaide procurou ir, sem sucesso, como missionária para a África, e ensinou alguns anos numa escola de missões em Nyack, estado de Nova Iorque. Logo antes da Primeira Guerra Mundial, conseguiu, com a idade de 60 anos, passar alguns meses numa missão na África, mas a guerra forçou sua transferência para a Escócia, onde permaneceu até 1929.

Voltando para os Estados Unidos, continuou o seu ministério evangelístico pelo nordeste. Sempre com saúde precária, voltava para casa de quando em quando para se recuperar. Foi um ataque durante uma viagem que a forçou a parar, uma semana antes da sua morte, em 20 de dezembro de 1934, com 72 anos de idade.

Adelaide escreveu muita prosa e numerosos hinos, mas raramente assinou seus escritos; neste hino colocou simplesmente A. A. P. Este é o único texto de hino seu, em uso hoje.

George Colem Stebbins, escreveu a melodia ADELAIDE para este texto, e incluiu o hino no Northfield Hymnal with Alexander’s Suplement em 1907. Apareceu em mais dois dos hinários publicados por Biglow and Main(hoje Hope Publishing Company) no mesmo ano.

Bibliografia: Osbeck, Kenneth W., 101 More Hymn Stories, Grand Rapids, MI, Kregel Publications, 1985, p. 112.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 290

Jesus, Sempre Te Amo

Letra: William Ralf Featherston (1846-1873)

Título Original: My Jesus, I Love Thee

Música: Adoniram Judson Gordon (1836-1895)

Texto Bíblico: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. (João 14:21)

Esta comovente letra de William Ralph Featherstone, escrita aos seus dezesseis anos em 1862 (possivelmente ao converter-se), traça a íntima ligação entre amar e submeter-se a Cristo, nosso Mestre, Senhor e Rei. Featherstone enviou a letra para sua tia, que achou por bem recomenda-la para publicação. Foi publicada emThe London Hymn Book (O Hinário de Londres) em 1864 e em mais oito coletâneas antes de aparecer com a melodia de Adoniram J. Gordon. Mas é esta melodia, com que está associada hoje, que fez o hino aparecer em hinários pelo mundo afora.

Da vida de William Ralph (ou Rolf) Featherstone sabemos pouco. Nascido em Montreal, no Canadá em 23 de julho de 1846, num lar cristão, foi membro duma igreja metodista wesleyana. Aparentemente continuou em Montreal durante toda a sua vida, vindo a falecer em 20 de maio de 1873

Adoniram Judson Gordon (1836-1895), cujo nome foi dado em homenagem ao missionário pioneiro batista na Índia e Birmânia, compôs a melodia que recebeu o seu nome, GORDON, para o texto de Festherstone. Apareceu pela primeira vez no hinário que Gordon compilou em parceria com S. L. Caldwell, The Service of Song for Baptist Churches (O Serviço de Cânticos para as Igrejas Batistas), em 1876.

Adoniram Gordon teve uma vida que demonstrou seu amor verdadeiro por Cristo, Bacharelou-se pela Universidade Brown, Estado de Rhode Island, EUA, estudou teologia no Seminário Teológico Newton (hoje Andover-Newton), em Massachussetts. Ordenado ao ministério batista em 1863, serviu em igrejas do mesmo estado. Foi notável como pastor da Igreja Batista Clarendon Street, em Boston, pastorado que ocupou durante vinte e cinco anos.

O encontro de Gordon com o Evangelista, D. L. Moody, em 1877, transformou a sua vida. Com nova vitalidade espiritual, tornou-se gigante no campo de missões mundiais. Sua igreja repetidamente ultrapassou-se nas suas ofertas para missões. Na Conferencia Centenária de missões Anglo-Americanas, na Inglaterra, Gordon ganhou “reputação internacional como apologista para o empreendimento missionário”. Fez uma conferencia missionária em Endimburo, na Escócia, com A.T. Pierson, outro ilustre líder internacional em missões. Lograram inédito sucesso levantando verbas e grande número de voluntários entre os jovens escoceses.

De volta à sua terra, foi eleito relator da Comissão Executiva da União Missionária Batista Americana. Sob sua liderança, a missão cresceu notavelmente, especialmente na África. Também tornou-se mentor do movimento de Estudantes Voluntários, cujo lema era: “A evangelização do mundo nesta geração.” Sua declaração, “Nossa tarefa não é trazer todo mundo a Cristo, mas indisputavelmente é levar Cristo a todo o mundo”, continua a ser o âmago da nossa visão até hoje

“Se Gordon foi gigante no campo de missões, foi um verdadeiro pioneiro em educação teológica de homens e mulheres leigos”. Por causa do seu compromisso missionário legendário, fundou a Escola Boston de Treinamento Missionário. Liderou na aceitação de mulheres ente as fileiras missionárias, convicto dos seus dons e capacidades e de que o “ide” de Jesus incluía a elas. Seu exemplo inspirou líderes por todo o mundo a levantarem semelhantes escolas de treinamento. A faculdade e o Seminário Gordon-Conwel em South Hamilton, também em Massachusetts, sucessores da notável escola de Gordon, hoje levam o nome deste grande servo de Deus.

Gordon foi um dos redatores de dois hinários batistas, redator da revista mensal The Watchword (A Divisa) e autor duma série de livros devocionais chamada Quiet Talks (Palestras Devocionais) . A Universidade Brown lhe conferiu o grau de Doutor em Divindade (honoris causa) em 1873.

Em 2 de fevereiro de 1895, em Boston, Adoniram Judson Gordon fechou os seus olhos. Foi muito digno do seu nome. O primeiro Adoniram teria tido orgulho dele.

Bibliografia: Robert, Dana L., in: Rosell, Garth M., ed., The Vision Continues, South Hamilton, Massachussetts, Gordon Conwell Theological Seminary, 1992, p. 6.

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Nr. 282 – Tempo de Ser Santo

Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns(Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos):

Um bispo protestante Episcopal de Michigan relatou certa vez a seguinte experiência a um grande auditório em uma das reuniões do Rev. E. P. Hammond em St. Louis:

“Uma jovem atriz, de talento e bondosa estava andando na rua de uma grande cidade. Vendo, através da porta entreaberta de uma bela mansão uma mocinha pálida e doente deitada num sofá, ela entrou, na esperança de por sua vivacidade e conversa agradável poder ajudar a jovem inválida.

A jovem doente era uma cristã devota, e suas palavras, sua paciência, submissão e a luz divina que parecia brilhar em sua face, demonstravam tão bem o espírito de sua religião que a atriz foi levada a pensar profundamente e tornou-se uma verdadeira seguidora de Cristo. Ela contou ao seu pai, o diretor do grupo teatral, a respeito de sua conversão e do seu desejo de abandonar o palco, afirmando que não poderia viver uma vida realmente cristã a seguir a carreira de atriz.

O pai ficou atônito, e disse-lhe que seu meio de vida estaria perdido e que os negócios ficariam arruinados se ela persistisse em sua resolução. Ela abrandou seu propósito por amor a seu pai e consentiu em cumprir, parcialmente, o compromisso do qual já havia sido feita publicidade. Ela era a estrela do grupo, e a preferida por todos. Os preparativos foram feitos para a peça em que ela deveria aparecer.

Chegou a noite marcada e o pai estava alegre por ter ganho a filha de volta e porque o seu meio de vida não estaria perdido. Chegou a hora; a sala de espetáculos estava repleta. A cortina subiu e a jovem atriz veio para frente do palco com passo firme em meio aos aplausos da multidão. Uma luz diferente brilhava em sua bela face. em meio ao grande silencio que se fazia no auditório, ela repetiu:

“Jesus, sempre Te amo, porque sei que és meu;

A Ti seja a glória, aqui e no céu.

Tu és meu amparo, meu bom Redentor,

Fiel e submisso serei ao Teu amor.”

Isto foi tudo. Através de Cristo ela havia vencido; deixando o auditório em lagrimas, ela retirou-se do palco para nunca mais pisar nele. Por meio de sua influência, seu pai converteu-se através dos esforços conjugados de ambos em obras evangelísticas, muitos foram levados a Deus.

Este hino foi cantado, em 1867, por mil vozes, no funeral do herói missionário escocês, Robert Annan, que morreu afogado na baía de Dundee ao tentar salvar uma criança que se afogava.

 

 

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 295

Tudo Entregarei

Letra: Judson Wheeler Van DeVenter (1855-1939)

Título Original: I Surrender All

Música: Winfield Scott Weeden (1847-1908)

Texto Bíblico: Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo. (Salmo 116:12-14)

Você já pensou sobre as letras dos hinos e o que elas querem dizer quando você está cantando na igreja? Em Efésios 5:19, a Bíblia diz: “falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor.” Este versículo nos lembra da importância dos hinos da nossa adoração e a importância do conteúdo, para o Senhor.

Com isto em mente, gostaria de sugerir que cantar “Tudo Entregarei” e realmente interiorizar seu significado, é uma tarefa difícil para a maioria de nós.

Judson W. Van Deventer (1855-1939) foi criado em um lar cristão. Aos 17 anos, ele aceitou a Jesus como seu Salvador. Formou-se em Artes na universidade Hill¬sdale College e teve uma bem sucedida carreira acadêmica na sua área. Viajou extensivamente, visitando várias galerias de arte por toda a Europa.

Judson W. Van Deventer, o autor de “Tudo Entregarei”, diz-nos como a sua própria indecisão resultaria na escrita deste hino:

“Por muitos anos estudei Arte. Minha vida inteira foi completamente dedicada a perseguir este objetivo e a coisa mais distante da minha mente era entrar para o serviço cristão ativo. Meu sonho era me tornar um artista excepcional e famoso. Depois de me formar na faculdade, estudei desenho e pintura com um conhecido professor alemão. Para me sustentar financeiramente, dei aulas no ensino médio e, eventualmente, tornei-me supervisor de Artes das escolas públicas de Sharon, Pensilvânia.”

Van Deventer também estudou e ensinou música. Ele dominou 13 diferentes instrumentos, cantou e compôs música. Estava bastante envolvido no ministério de música da igreja que frequentava.

Ele continua seu relato:

“Foi durante este período em minha vida que foram realizadas reuniões de reavivamento na Primeira Igreja Metodista, da qual eu era membro. Fiquei pessoalmente muito interessado nessas reuniões. O Espírito de Deus estava me pedindo para desistir da carreira acadêmica e entrar no campo evangelístico, mas eu não queria ceder. Ainda tinha um desejo ardente de ser um grande artista. Esta batalha durou cinco anos. Finalmente chegou a hora em que não pude mais aguentar e eu entreguei o meu tudo – meu tempo e meus talentos. Foi então que um novo dia surgiu em minha vida. Escrevi “Tudo Entregarei”, em memória da época em que, após a longa luta, eu havia me rendido e dedicado minha vida ao serviço cristão ativo para o Senhor.”

Assim, em 1896, Van Deventer tomou a decisão de abandonar tudo e tornar-se um evangelista em tempo integral. Depois de sua entrega pessoal, trabalhou por anos com Wilbur Chapman e outros evangelistas na América e na Inglaterra. Deus usou-o poderosamente.

“Tudo Entregarei” foi musicado de Winfield S. Weeden (1847-1908), que publicou este e muitos outros hinos em vários volumes. Weeden amava estas palavras “Tudo Entregarei”, as quais foram colocados mais tarde em sua lápide.

As palavras e melodia de “Tudo Entregarei” apareceram em praticamente todos os hinários em Inglês, e também são cantadas em igrejas que preferem música contemporânea.

O hino e a história de Judson W. Van Deventer nos lembram a sermos sensíveis à direção do Senhor e nossa consequente entrega pessoal a Ele. Além disso, o seu conteúdo merece a nossa maior atenção e deve levar-nos a uma buscar interior na próxima vez que este hino for cantado como parte da nossa experiência de igreja.

 

 

Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 298

Toma, ó Deus, Meu Coração

Letra: Frances Ridley Havergal(1836-1879)

Título Original: Take My Life and Let It Be

Música: Henri Abraham Cesar Malan(1787-1864)

Texto Bíblico: Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno. (Salmo 139:23 e 24)

 

A Srtª Frances Ridley Havergal escreveu no dia 4 de fevereiro de 1874 em Areley House:

“Cheguei para uma visita de cinco dias. Havia dez pessoas na casa, algumas das quais não eram convertidas, e por quem muitos oravam; outras eram convertidas, porém, não cristãs fervorosas. Fui inspirada a orar: -’Senhor, dá-me todos nesta casa,’ e Ele o fez.

Antes de eu partir, cada uma tinha recebido uma benção. Na última noite sentia-me tão feliz que não pude dormir; passei a maior parte da noite em fervor e renovando a minha própria consagração. As quadras deste hino vieram-me à mente uma após outra, até o último verso ‘Sempre, somente, tudo para Ti’. (No original em inglês).

O hino foi publicado pela primeira vez no “Songs of Grace and Glory”, do Apêndice de Snepp, 1874, e mais tarde no “Loyal Response” da autora, em 1878.

A Srtª Havergal passou vinte e um dos seus quarenta e três anos numa cadeira de inválida, sem se queixar. Era uma senhora extremamente talentosa. Leu com a idade de três anos e quando ainda menina, sabia de cor o Novo Testamento inteiro, os Salmos e Isaías. Sua vida era inteiramente consagrada a Deus, e cada frase do hino expressava sua própria experiência, demonstrando sua grande sinceridade. Este hino é um verdadeiro hino de consagração.

“Hendon” é uma melodia apropriada para este texto, escrita por Henri Abraham César Malen. A seguinte homenagem lhe é conferida por H. Leigh Bennett, um funcionário da Catedral de Lincoln:

“O maior nome na história dos hinos franceses é o de César Malan, de Genebra. O acervo de hinos foi muito aumentado partindo de um pequeno numero de contribuições; Malan compete sozinho com a abundância de composições apresentadas por Watts e Wesley. Como Watts, ele deu o primeiro grande impulso na apreciação geral de hinos na adoração pública; como Charles Weley, ele foi poeta e interprete de um grande movimento religioso, que almejava maior expressão devocional. A primeira idéia de compor hinos parece ter lhe sido sugerida por um amigo, em 1821″.

A melodia “Hendon” apareceu pela primeira vez em 1827. Ao todo, Malan escreveu mais de 1000 hinos e melodias. Foi ele o evangelista que influenciou Charlotte Elliott.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista